Sobre o Escritor

Apresentação

Por Márcio Santos Souza
Ex-Diretor do Banco Bradesco
Empresário na área de turismo.

Mais uma vez, tenho a honra e o privilégio de escrever sobre Ubaldo Marques Porto Filho. Sinto-me capacitado para falar sobre este querido amigo, tendo em vista que o conheço há mais de 50 anos. Conforme já tinha escrito na apresentação do autor em seu livro ‘Turismo Realidade Baiana e Nacional’, falar sobre Ubaldo é falar em amor, amor vibrante e profundo à Bahia e em especial ao Rio Vermelho, pelo qual sempre foi um abnegado.

É também um estudioso dos fatos que fizeram e fazem a história da Bahia, em particular do nosso querido bairro do Rio Vermelho, local onde residiram inúmeras personalidades, os quais estão registrados no livro de sua autoria ‘Notáveis do Rio Vermelho’.

Ubaldo Marques Porto Filho é casado com a Maria José e pai da Mônica, Ubaldo Neto e Daiana. Tem uma neta, Gabriela Rodrigues Marques Porto, filha de Ubaldo Neto e Ana Carolina.

Soteropolitano, nascido no Canela, em 5 de janeiro de 1945, Ubaldo chegou ao Rio Vermelho em julho de 1958, para residir na casa de veraneio que o pai havia comprado na Rua Alagoinhas. O Rio Vermelho fazia parte da história da sua família: a avó paterna tinha sido veranista no início do século XX e uma tia, Indira Mesquita Marques Porto, a primeira diretora de um estabelecimento público no bairro, a Escola Euricles de Matos.

No Rio Vermelho - bairro descoberto em 1509, por Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru - Ubaldo estudou no Colégio Estadual Manoel Devoto e ajudou a fundar o Grêmio Juventude do Rio Vermelho, sendo diretor do seu órgão de informações, o jornal ‘Vip’, depois sucedido pelo ‘Tempo’.

Formado em administração de empresas, pela Universidade Federal da Bahia, obteve os seguintes destaques: venceu o I Concurso Nacional de Turismo, promovido pela Embratur (1970); foi articulista de turismo do semanário Jornal da Cidade do Salvador (1972-1974), tendo escrito 59 artigos; e escreveu o primeiro livro técnico sobre turismo na Bahia (1976).

Na Bahiatursa, órgão estatal de promoção do turismo baiano, foi diretor da revista Viverbahia, onde comandou uma reestruturação editorial e ampliou a penetração da publicação no mercado turístico nacional, ações que resultaram em diversas premiações.

Pioneiro na literatura técnica de turismo na Bahia, participou da fundação da seção baiana da Associação Brasileira dos Jornalistas e Escritores de Turismo.

Com o setor da publicidade teve vínculos por duas vertentes. A primeira foi pelo lado do cliente, quando trabalhou no Grupo Banco Econômico e era o analista dos trabalhos relacionados com o produto turismo, apresentados pela agência de propaganda GFM/Propeg. Na Telebahia (companhia telefônica estatal) foi o analista dos trabalhos da agência baiana Unigrafe e depois da paulista DPZ. A outra vertente foi pelo lado do veículo, como editor, proprietário da SGS, produtora de guias e mapas turísticos. Sua editora era receptora de anúncios produzidos pelas agências de propaganda.

Ubaldo aposentou-se pela Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba), onde trabalhou em vários setores. No Departamento de Mercado, que cuidava da prospecção de novos mercados para o fornecimento de energia, era o responsável pela redação dos relatórios técnicos visando a captação dos recursos financeiros para os projetos de eletrificação rural no Estado.

Nos últimos anos, Ubaldo tem se dedicado com grande afinco aos livros. É autor de 21 obras publicadas, que, com certeza, não vão parar por aí. Também tem atuado como consultor editorial.

São Paulo, julho de 2013.


Ubaldo entre Sônia Morelli, diretora da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, e o empresário Márcio Santos Souza,
      no lançamento do livro ‘Família Taboada na Bahia’, no Salão Paroquial do Rio Vermelho, em 7 de novembro de 2008.

 

 

Sobre Ubaldo Marques Porto Filho

Por Geraldo Meyer Suerdieck
Ex-Presidente do Grupo Suerdieck

Ao afastar-me das atividades empresariais, passei a alimentar a esperança de encontrar uma pessoa em quem confiasse o relato da minha vida profissional. Pensava num livro pequeno, numa espécie de memorial, ou prestação de contas, para deixar como legado, aos filhos, netos, bisnetos, etc.

Tive de esperar nove anos, até que, voluntariamente, Ubaldo entrou em cena. Ele havia trabalhado na Suerdieck. Ainda lembrava-me de suas feições, um rapaz franzino, rosto juvenil, meio caladão, mas muito astuto, que havia se projetado de forma fulminante, pela descoberta de um grande roubo, que vinha sendo praticado no depósito de charutos da Loja Bahia.

Antes de completar quatro anos na casa, o jovem pediu demissão, dizendo-me que iria cuidar exclusivamente da conclusão do seu curso superior. Foi embora deixando como marcas registradas a lealdade, a seriedade e a competência na execução dos serviços que lhes foram atribuídos.

Fui revê-lo após quase três décadas. Reapareceu levando-me um projeto com propósitos bem mais amplos ao trabalho desejado por mim. Chegou credenciado por um vasto currículo, onde se evidenciava uma rica experiência editorial. Autor de diversos trabalhos importantes, no campo de suas especialidades como administrador, tinha uma monografia premiada nacionalmente e dois livros publicados. Havia sido, inclusive, dono de uma editora especializada em guias turísticos.

Seu objetivo era esquadrinhar a trajetória da Suerdieck, e das famílias, a partir da Alemanha, numa obra de sete fôlegos e dimensões grandiosas, que a princípio duvidei da exequibilidade. Investigador perspicaz, pesquisador cuidadoso, detalhista exigente, redator de mão cheia e perfeccionista, foi edificando pacientemente, pedra sobre pedra, a história que programou transformar num livro.

No início não vi com bons olhos as inserções de particularidades da minha vida, que foram sendo habilmente coletadas nos encontros semanais, durante as conversas informais que mantínhamos na varanda da minha casa, enquanto fumávamos charutos. Eu disse conversas informais, porque não eram entrevistas em que ele utilizava gravador ou fazia qualquer anotação. Apenas provocava com perguntas sutis, para guardar na cabeça as confissões que eu fazia em off.

A descoberta desta sua habilidosa técnica, junto com a capacidade de memorização, deixou-me impressionado. Na verdade, estava tendo pela frente um inquiridor sagaz, mestre na arte de arrancar segredos guardados há décadas. Isto levou-me a tentar banir dos primeiros originais os trechos que, no contexto do meu conservadorismo, deveriam permanecer intocáveis, mergulhados no anonimato.

No entanto, como bom mineiro (é baiano, mas tem sangue mineiro pelo lado materno), foi minando minhas resistências com argumentações sólidas, que acabaram me convencendo a retirar o censor que eu estaria, segundo ele, querendo plantar na redação da obra.

Com o estreitamento da amizade e na confiança total que passei a lhe devotar, resolvi, por iniciativa própria, e não mais pelas provocações dele, contar tudo sobre minha vida laboriosa, particular e íntima. Esvaziei completamente o baú das recordações. Não escondi absolutamente nada, abri totalmente a porteira para a boiada passar livremente. Assim, o escritor transformou-se na única pessoa a conhecer todos os meus segredos, pessoais e profissionais.

De posse de informações privilegiadas, e concedida a mais ampla liberdade, sem mais qualquer intervenção na execução do projeto editorial, o autor ficou liberto para escrever o que quisesse e bem entendesse, sem amarras ou ressalvas.

Mas fiquei a indagar-me: Fiz bem ou mal, acertei ou errei?, permitindo que chegassem ao conhecimento público as inconfidências da minha vida privada, sobre meus pais, irmãos e parentes. O leitor que faça agora o julgamento!

Porém, independente da avaliação externa, quero consignar que o mais importante, e isto me enche de orgulho, deixando-me envaidecido, é a obra no seu conjunto principal, enfaixando os registros que demonstram o que efetivamente foi a Suerdieck. O resgate da sua memória, posso afiançar, foi absolutamente fiel aos fatos reais. O autor também respeitou a verdade histórica ao narrar as sagas familiares.

Este livro também representa a sublimação de uma existência, convertendo-se num grande conforto espiritual para um homem com 84 anos. A felicidade somente não é completa porque a Suerdieck acabou. Embora há muitos anos não participasse mais da empresa, senti o seu fim com a mesma dor da perda de um ente querido.

Em suma, somente um escritor do quilate de Ubaldo, tarimbado e capaz, provido de inteligência especial, teria condições de construir uma obra minuciosa, tão rica no conteúdo e no porte de ‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’.

Salvador, fevereiro de 2003.

Texto publicado nas orelhas do livro
‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’


Ubaldo Marques Porto Filho e Geraldo Meyer Suerdieck,
que durante 27 anos (1948-1975) presidiu o Grupo Suerdieck,
um império de fumos e charutos, que chegou a ter 16 empresas,
sendo quatro na Europa: três na Alemanha e uma na Suíça.
A foto é de 2000, na casa de GMS, no bairro de Brotas.

 

 

Posse do Historiador do Rio Vermelho no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia

Em solenidade realizada no salão nobre do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), no dia do seu 115º aniversário de fundação, 13 de maio de 2009, foram empossados 13 novos sócios, escolhidos entre personalidades com destaque nas áreas da história, da geografia e das ciências afins. No venerável Instituto, guardião do patrimônio histórico e artístico baiano, ingressaram nove sócios efetivos, 2 sócios correspondentes e um sócio honorário.

A professora e historiadora Consuelo Pondé de Sena, presidente do IGHB, foi quem comandou a entrega dos diplomas aos novos associados, que foram saudados pelo professor Edivaldo Machado Boaventura, diretor-geral do jornal A Tarde, escritor, presidente da Academia de Letras da Bahia e orador oficial do IGHB.

Da mesa dos trabalhos também participaram o professor Roberto Santos, ex-governador da Bahia, o conselheiro Manoel Castro, presidente do Tribunal de Contas do Estado, o sociólogo Antônio Lins, presidente da Fundação Gregório de Mattos, a procuradora Eny Magalhães, representando o Ministério Público do Estado da Bahia, o tenente Roberto Vivas da Silva, representando a 6ª Região Militar e o chefe de Gabinete do Governo da Bahia, Fernando Schimidt, que representou o governador Jaques Wagner e fez um discurso saudando a efeméride.

Reportando-se ao evento, o professor Edivaldo Boaventura publicou um artigo em A Tarde, edição do dia 19 de junho de 2009, donde foi retirado o seguinte parágrafo:

“Na dinâmica da vida, o Instituto se renova acolhendo com alegria e entusiasmo novas lideranças: Anaci B. Paim, ex-reitora da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), ex-secretária da Educação da Bahia e presidente da Academia de Educação de Feira de Santana; Josué Melo, ex-reitor da Uefs e diretor da Faculdade 2 de Julho; Carlos D’Ávila Teixeira, magistrado federal; Helen Sabrina Gledhill, estudiosa da Bahia, dos ingleses e de Manuel Quirino; Ubaldo Marques Porto Filho, alcaide honorário do Rio Vermelho e biógrafo de Caramuru; Carlos Alberto Reis Campos, arquiteto e ex-professor da Ufba; Mário de Mello Kertész, publicitário e ex-prefeito de Salvador; Marcos Roberto Santana, maestro e diretor da Camerata Castro Alves; e João Paulo Sabido Costa, cônsul-geral de Portugal e amigo da Bahia. Ingressaram como sócios correspondentes Antônio Dias Farinha, professor de história da Universidade de Lisboa, especialista da cultura árabe, e Ademir Pereira dos Santos, coordenador do projeto Teodoro Sampaio. Na categoria de sócio honorário, Fernando Schimidt, chefe da Casa Civil do Governador”.


    Roberto Santos, ex-governador da Bahia, Edivaldo Boaventura, ex-secretário da Educação do Estado a Bahia,
e o novo Sócio Efetivo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, Ubaldo Marques Porto Filho,
no dia da sua posse, em 13 de maio de 2009.