Família Taboada na Bahia (II)

Ubaldo Marques Porto Filho

Sinto-me muito gratificado e honrado em ser o autor do livro ‘Família Taboada na Bahia’. Primeiramente pelos laços que me unem, desde 1958, a essa família símbolo do Rio Vermelho, símbolo do bairro onde resido há meio século, a partir dos 13 anos de idade. Em segundo lugar por três aspectos pioneiros que a obra enfeixa.

O primeiro é representado pelo conteúdo, pois as pesquisas demonstraram que ‘Família Taboada na Bahia’ é o primeiro livro que se publica sobre a trajetória de uma família galego-baiana. Galega porque o nome Taboada possui raízes milenares fincadas na Galícia, região no noroeste da Espanha, de onde veio José Taboada Vidal. No dia 22 de novembro de 1892, a quatro dias de completar 15 anos, ele desembarcou no Porto de Salvador e foi levado imediatamente para trabalhar no balneário turístico do Rio Vermelho, onde construiu uma vitoriosa vida profissional e uma numerosa descendência baiana, que iria se destacar nos meios comerciais, industriais, sociais e econômicos.

O segundo pioneirismo reside no fato de ‘Família Taboada na Bahia’ ser a primeira obra que registra a história de uma família da comunidade riovermelhense, bairro que possuía uma sólida tradição de ter famílias que se constituíram em verdadeiros clãs e que tiveram destacadas presenças na história do bairro, durante os séculos XIX e XX. Com este livro, a Família Taboada, uma das mais importantes, inaugura o pódio ou o panteon da historigrafia familiar no Rio Vermelho.

O terceiro pioneirismo é representado pelo produto gráfico. Além de ter sido produzido em papel de primeiríssima qualidade, ‘Família Taboada na Bahia’ apresenta duas capas, sendo a dura com um refinado acabamento com ilustrações em fios dourados. Uma outra grande novidade está na caixa dupla que envolve e protege o livro, inédita no mercado gráfico baiano.

Com ‘Família Taboada na Bahia’ está sendo desmistificada a crença de que livros com essa primorosa qualidade final somente poderiam ser impressos no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e até mesmo em Recife. E o nosso livro foi todo impresso aqui em Salvador, na gráfica Press Color, coincidentemente localizada em área territorial do nosso querido Rio Vermelho.

Devemos a concretização do projeto deste livro ao economista Nelson Almeida Taboada, que mantinha, desde o nascimento da sua filha, Carolina Soussa Taboada, o desejo de deixar para ela a história da família Taboada. Inclusive, Nelson já havia feito contatos com um outro escritor. Porém, ao ficar sabendo que eu me encontrava envolvido na mesma missão, a serviço da Academia dos Imortais do Rio Vermelho, ele imediatamente avalizou o projeto e passou a comandar as ações que resultaram na viabilização financeira do empreendimento editorial e na logística operacional. Colocou à minha disposição toda a estrutura administrativa da sua empresa, a Terra Norte S.A., e até mesmo o seu avião particular, que utilizei em algumas viagens para pesquisas.

Portanto, ao mecenas da família Taboada, antigo ás do automobilismo baiano e um bem-sucedido empresário, devemos a publicação do tão desejado livro, que além da história da sua família também contém flashes da história do Rio Vermelho. A Nelsinho Taboada, como nós do Rio Vermelho nos habituamos a chamá-lo, também se deve o luxo e o virtuosismo do produto final, além, evidentemente, desta festa que se constitui, sem dúvida alguma, no maior evento de lançamento de uma obra já realizada no Rio Vermelho.

Tudo isso foi possível graças à Casa de Cultura Carolina Taboada, criada por Nelson, por ele presidida, por ele mantida. É por onde estão sendo irradiadas ações de cunho cultural e também de assistência social, que inclusive contemplam projetos fora da esfera familiar e basicamente voltados ao bairro do Rio Vermelho.

Apenas como exemplos dessas ações, cito a colocação do piso da área externa deste Salão Paroquial, que hoje está sendo inaugurado, foi custeado pela Casa de Cultura Carolina Taboada. A ‘Cartilha dos Logradouros do Rio Vermelho’ que hoje também está sendo lançada, foi patrocinada pela instituição presidida por Nelson Taboada. No próximo ano, quando o Rio Vermelho completará 500 anos de descoberto, serão publicadas mais quatro obras patrocinadas pela Casa de Cultura Carolina Taboada.

Outrossim, registro que no decurso da preparação do livro ‘Família Taboada na Bahia’ estive colhendo subsídios em importantes fontes de pesquisas. Dentre elas encontra-se a Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, que no último dia 24 de setembro completou 40 anos de atividades ininterruptas no Rio Vermelho, onde tem presença como centro difusor do saber, derramando sobre o nosso bairro um verdadeiro mar de conhecimentos.

Externo ainda os agradecimentos especiais a dois importantes colaboradores do livro ‘Família Taboada na Bahia’. Ambos são integrantes da Academia dos Imortais do Rio Vermelho: Márcio Santos Souza, que escreveu a Apresentação do Autor, e Flávio Damásio de Paula, que escreveu a Apresentação do Rio Vermelho.

Fico agora na expectativa de que o conteúdo de ‘Família Taboada na Bahia’ seja do agrado dos leitores e que esteja à altura da sofisticação técnica que Nelson Taboada fez questão de dar ao livro e à festa do seu lançamento neste querido bairro.

Discurso no
Salão Paroquial do Rio Vermelho,
em 7 de novembro de 2008,
no lançamento do livro
‘Família Taboada na Bahia’.