Brasão do Rio Vermelho

 

Uma parceria entre o historiador do Rio Vermelho, Ubaldo Marques Porto Filho, e o designer gráfico Miguel Macedo dos Santos, resultou na criação do Brasão do Rio Vermelho. Inspirado nas raízes históricas do bairro, compõe-se de escudo, listel e timbre.

O campo do escudo, que é a parte principal de um brasão, foi dividido em quatro quartéis, nas cores que aludem às seguintes representações: verde (flora); azul (mar); vermelho (rio); amarelo (religião).

a.    O quartel na cor verde simboliza a Mata Atlântica, onde vicejavam árvores de pau-brasil, o primeiro produto de exportação, numa comercialização de escambo, intermediada por Caramuru, entre os nativos e os aventureiros franceses. O entreposto ficava na Enseada da Mariquita, que chegou a ficar conhecida como ‘Aldeia dos Franceses’.
b.    O azul simboliza o Oceano Atlântico, por onde havia chegado Diogo Álvares Corrêa, que os índios tupinambás cognominaram de Caramuru, primeiro branco a pisar nas terras da região do Camoroipe.
c.    O vermelho simboliza o Camoroipe, cujas águas ficavam barrentas nos períodos chuvosos. Era um rio piscoso, com foz na Enseada da Mariquita, que abastecia os nativos com peixes e mariscos.
d.    O amarelo simboliza a Missão dos Jesuítas (catequese dos índios) que em 1556, na área da antiga Aldeia dos Franceses, fundou a Aldeia de Nossa Senhora do Rio Vermelho, onde no ano seguinte foi inaugurada uma ermida no sopé do Morro do Conselho, da qual não restou nenhum vestígio. Por volta de 1580, os missionários da Companhia de Jesus erigiram uma outra ermida, no local da atual igrejinha do Largo de Santana, com a frente voltada para a Enseada de Santana. O amarelo é também a cor de Senhora Sant’Ana, padroeira do Rio Vermelho.

No listel foi inserida a palavra Camoroipe, donde derivou o nome do bairro. Na língua tupi significa ‘Rio Vermelho’. Era como os primitivos habitantes designavam o curso fluvial que convergia à Praia da Mariquita, local do célebre encontro dos tupinambás com Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, descobridor do Rio Vermelho.

O timbre foi composto por uma simbologia que representa o Forte do Rio Vermelho, único baluarte de defesa de Salvador localizado fora dos limites da Baía de Todos-os-Santos. Construído entre 1711 e 1756, fez parte da paisagem do Rio Vermelho até julho de 1953, quando foi demolido pela Prefeitura.

Salvador, setembro de 2003.
Academia dos Imortais do Rio Vermelho - Acirv