História da Associação Atlética da Bahia

Ubaldo Marques Porto Filho

Em primeiro lugar, parabenizo o vereador Pedro Godinho, autor do requerimento para a convocação desta Sessão Especial da Câmara Municipal de Salvador, com a única finalidade de homenagear a Associação Atlética da Bahia, que acaba de inaugurar um novo e monumental complexo socioesportivo e cultural.

Por escolha da sua Diretoria, coube a mim a honrosa missão de escrever um livro contendo a trajetória dos 96 anos deste querido clube. Tudo começou em 4 de outubro de 1914, dia de São Francisco de Assis, o santo de plantão no dia do nascimento da Associação Atlética da Bahia.

Deve-se o surgimento da Associação a um pequeno grupo de 10 fundadores, todos pobres, na maioria jovens comerciários. Isso mesmo, a Associação foi fundada para agregar trabalhadores no comércio em torno de jogos esportivos, especialmente o futebol.

O livro ‘História da Associação Atlética da Bahia’, que se encontra em fase de elaboração, foi dividido em quatro capítulos, que abrangem períodos distintos e bem marcantes na história da Azulina, expressão que a Associação ganhou em 1921, quando o vermelho e branco da fundação foi substituído pelo azul e branco e o time de futebol passou a usar uma camisa inteiramente na cor azul.

O primeiro capítulo da história da Associação vai de 1914 até 1929, ano em que a Azulina se retirou do campeonato baiano de futebol, após tê-lo disputado por dez vezes, a partir de 1919, tendo obtido dois quinto lugares, um quarto lugar, um terceiro lugar, cinco vice-campeonatos e um título de campeão. Deixou as disputas do campeonato na condição de terceira força do nosso futebol, logo abaixo do Ypiranga e Botafogo.

A conquista do campeonato foi em 1924. E na equipe campeã jogava Alfredo Pereira de Mello, o Mica, o primeiro grande astro do futebol baiano, que se notabilizou por ser o primeiro baiano a vestir a camisa da seleção brasileira, sendo titular em todos os jogos que o Brasil disputou em 1923, todos fora do nosso país, pois foram realizados no Uruguai, pelo Campeonato Sul Americano, e na Argentina, pela Taça Brasil-Argentina e pela Copa Roca. O Grande Mica, como era chamado, constituiu-se no mais famoso jogador que vestiu a camisa da Associação Atlética da Bahia.

O segundo capítulo da história da Azulina abrange um período de 54 anos, de 1930 a 1984, período em que a Associação viveu suas maiores glórias, como clube social da elite baiana, promovendo grandiosas festas dançantes e bailes carnavalescos que entraram para a história dos carnavais baianos.

No início da década de 1950, costumava circular pelas dependências da Azulina uma adolescente de rara beleza, filha de um conceituado engenheiro e professor. Chamava-se Martha Rocha, que em 1954, num intervalo de 69 dias, obteve três importantes títulos: Miss Bahia, Miss Brasil e segundo lugar no Miss Universo, este último conquistado em Long Beach, Estados Unidos. Em seu retorno a Salvador, famosa nacional e internacionalmente, a Associação Atlética a homenageou com um baile dançante na noite de 3 de novembro de 1954.

O segundo capítulo do livro trata também das inúmeras competições esportivas amadoras, no tênis, vôlei, basquete, futebol soçaite, futsal, natação e artes marciais, dentre outras modalidades. Com suas escolinhas esportivas, a Associação transformou-se numa verdadeira fábrica reveladora de talentos e campeões. Apenas para citar um exemplo, foi da Associação que saiu Patrícia Medrado, a maior tenista brasileira depois do fenômeno Maria Ester Bueno.

O terceiro capítulo da história do querido clube da Barra, compreende o período do declínio e das dificuldades provocadas pelas mudanças de hábitos dos brasileiros e também por vícios enraizados no sistema de administração dos clubes sociais.

Os novos hábitos, que mudaram antigos conceitos de entretenimentos e moradia, atingiram em cheio os clubes tradicionais. Por exemplo, o surgimento dos condomínios, disponibilizando equipamentos e serviços até então privativos dos clubes sociais, provocaram a redução na frequência dos associados. E como consequência natural, a maioria dos clubes brasileiros foi severamente atingida. Os que tinham se agigantado, que possuíam elevados custos fixos mensais de manutenção e que dependiam primordialmente da arrecadação das contribuições dos associados, foram sendo paulatinamente sufocados.

Com a queda irreversível na receita que era proporcionada pelos associados, dezenas dos grandes clubes, das principais cidades brasileiras, perderam o glamour, endividaram-se e acabaram fechando as portas. E a Associação Atlética da Bahia também esteve na iminência de ter o mesmo fim. Algumas pessoas chegaram inclusive a preconizar que somente um milagre salvaria a Associação do atoleiro de dívidas.

Começa então o quarto capítulo do nosso livro, com a luta titânica de Ademar da Silveira Brito e sua equipe de assistentes, que iniciaram os procedimentos para a salvação da Associação. E o caminho para a retirada da Azulina da dramática situação, passou, necessariamente, por um tratamento de choque, ou seja, pela demolição de toda a estrutura física do antigo clube. Em seu lugar, um novo clube foi erguido, projetado e construído de acordo com a nova realidade para os clubes sociais, esportivos e culturais, conciliando entretenimento com atividades comerciais e de serviços, para poder garantir a auto-sustentabilidade e eliminar o fantasma da mortal inadimplência dos associados.

E hoje estamos, todos nós, aqui, neste plenário histórico, reunidos para celebrar e dar as boas-vindas à nova Associação Atlética da Bahia, que foi inaugurada sábado passado, 27 de novembro de 2010, dia de São Virgílio, o santo de plantão no final do milagre do renascimento da Associação Atlética da Bahia.

Com o renascimento de suas atividades sociais, esportivas e culturais, a Associação constituir-se-á, com certeza, em mais um instrumento para contribuição das ações que visam afastar os jovens das tentações das drogas que infelicitam uma parcela da juventude brasileira.

Enfim, estão de parabéns todos os diretores, os membros da Comissão Fiscal, do Conselho Deliberativo e da Comissão de Obras. E, em especial, devemos, todos nós, reverenciar o trabalho incansável do Presidente Ademar da Silveira Brito, o grande comandante do renascimento da Associação Atlética da Bahia, para o qual solicito uma salva de palmas.

Discurso na
Câmara Municipal de Salvador,
em 2 de dezembro de 2010,
na Sessão Especial em homenagem
a Associação Atlética da Bahia.