200 Anos da Associação Comercial da Bahia

Ubaldo Marques Porto Filho

A pedido da Casa de Cultura Carolina Taboada, coube a mim a honrosa missão de escrever o livro ‘200 Anos da Associação Comercial da Bahia’, que hoje está sendo lançado neste Salão Nobre de inúmeros e relevantes eventos sociais, econômicos, políticos e culturais.

Desde a inauguração deste magnífico Palácio, em 28 de janeiro de 1817, pelo seu idealizador e construtor, dom Marcos de Noronha e Brito, VIII Conde dos Arcos, por aqui passaram destacadas personalidades da vida baiana e nacional, dentre elas o imperador Dom Pedro II, a imperatriz Teresa Cristina, o jurista Ruy Barbosa, o presidente Hermes da Fonseca e o presidente eleito Washington Luís.

Neste Salão Nobre também esteve Castro Alves, que aqui fez sua última declamação, na tarde de 10 de fevereiro de 1871. O maior dos poetas brasileiros faleceu em 6 de julho de 1871, aos 24 anos, quase cinco meses após a última apresentação pública, que o destino quis que fosse no palácio mais majestoso, imponente e representativo na Cidade do Salvador.

Peço agora licença para discorrer um pouco sobre fatos que entrelaçam a história da Associação Comercial da Bahia com o Rio Vermelho, bairro descoberto em 1509 por Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, célebre náufrago tido como português, mas que pode ter nascido na região espanhola da Galícia ou até mesmo na França.

E é no bairro de Caramuru que o Presidente do Bicentenário da Associação Comercial da Bahia, Eduardo Morais de Castro, possui raízes: ele é bisneto de João Gomes da Costa Júnior, o primeiro grande benemérito do Rio Vermelho; é neto de um outro ilustre morador desse bairro, Manoel Lopes de Azevedo Castro, que foi vice-presidente da Associação Comercial da Bahia; e é filho de Álvaro Gomes de Castro e Maria Valentina Morais de Castro, que nasceram no Rio Vermelho.

Antecedendo Eduardo Morais de Castro na presidência da ACB, a Associação Comercial da Bahia foi presidida por João Sá, morador do Rio Vermelho, que por sua vez foi sucedido por Lise Weckerle, ex-moradora do bairro, a quem Eduardo sucedeu e que terá como sucessor, a partir de 11 de agosto próximo, um morador do Rio Vermelho, Marcos de Meirelles Fonseca.

Congratulo-me também com o Presidente da Casa de Cultura Carolina Taboada, empresário Nelson Almeida Taboada, integrante da terceira geração de uma família símbolo do Rio Vermelho, onde tem raízes fincadas desde 1892.

Nelson Taboada, benemérito da cultura baiana, tem destinado recursos próprios para aplicação direta em projetos literários, sem qualquer contrapartida governamental, benefício, isenção ou incentivo fiscal.

Dos dez livros publicados pela Casa de Cultura Carolina Taboada, o último, justamente o que hoje está sendo lançado aqui, é a primeira obra que a entidade cultural dos Taboada patrocina fora das biografias familiares e da historiografia do Rio Vermelho.

A escolha da Associação Comercial da Bahia como tema para o décimo livro sob a chancela da Casa de Cultura Carolina Taboada não poderia ter sido melhor. Digo até que se constituiu numa grande honra para a entidade patrocinadora da obra e também para o escritor.

Finalmente, quero relembrar uma frase do jornalista Vander Prata, assessor de imprensa da Associação Comercial da Bahia, que em release distribuído à imprensa escreveu o seguinte:

“Conhecer as dependências e o acervo da Associação Comercial da Bahia é como viajar no tempo, em busca de parte da nossa história”.

Esta frase, do Vander Prata, também serve para definir o conteúdo do livro ‘2OO Anos da Associação Comercial da Bahia’, que foi escrito com o objetivo de oferecer aos leitores a oportunidade de uma viagem pela história resumida da associação empresarial pioneira na América Latina.

Espero que os leitores gostem do itinerário dessa viagem que começa em 1811, no Forte de São Fernando, com dom Marcos de Noronha e Brito, o fundador da Associação Comercial da Bahia, e termina em 2011, no Palácio da Associação Comercial da Bahia, com Eduardo Morais de Castro no comando da entidade bicentenária.

Discurso na
Associação Comercial da Bahia,
em 15 de junho de 2011,
no lançamento do livro
‘200 Anos da Associação Comercial da Bahia’.


Palácio da Associação Comercial da Bahia, inaugurado em 28 de janeiro de 1817.