Toponímia Catharina Paraguassú

Ubaldo Marques Porto Filho,
autor do livro
‘Catharina Paraguassú, Matriarca do Brasil’

A referência onomástica mais antiga sobre a Matriarca do Brasil está na França, no departamento dos Arquivos Municipais de Saint-Malo, guardião do livro onde se encontra o assentamento do batismo da índia brasileira, realizado no dia 30 de julho de 1528, quando recebeu o nome Katherine du Brezil. Os franceses passaram depois a grafá-lo como Catherine du Brésil.

No Brasil, o documento mais remoto é a escritura da doação da Igreja da Graça e de terras anexas que a Matriarca fez ao Mosteiro de São Bento da Bahia, em 16 de julho de 1586. No instrumento da transferência, que foi transladado para o Livro Velho do Tombo do referido Mosteiro, onde se encontra preservado, a doadora foi identificada como Catherina Álvares Caramuru.

Além dos topônimos acima citados, os historiadores referiram-se à Matriarca do Brasil com diversas outras designações: Paraguassú, Catharina Paraguassú, Catharina Álvares Caramuru, Catarina Álvares Caramuru, Catarina Paraguaçu Álvares, Catarina Álvares, Catarina Paraguaçu, etc. Todas essas variantes são aceitas como corretas, pois inexiste uma lei filológica instituindo e obrigando oficialmente uma grafia única.

No livro ‘Catharina Paraguassú, Matriarca do Brasil’ optei por utilizar três topônimos:


A escolha da toponímia que iria predominar no livro - Catharina (com TH) Paraguassú (com dois S ao invés do Ç) foi fundamentada nas inscrições que se encontram na nave da Igreja de Nossa Senhora da Graça, onde a Matriarca do Brasil foi sepultada e que recebeu, em 1797, um tampo e uma placa de mármore com o nome de Catharina Álvares Paraguassú.

Esse é o nome visualizado diariamente pelos fiéis e turistas que visitam a Igreja e fotografam a lousa armoriada afixada numa parede lateral, bem à vista de todos.

De acordo com uma praxe tradicional, do uso corrente de apenas um sobrenome, o Álvares podia ser retirado (vide nota no rodapé). E esse foi o entendimento e o procedimento da Prefeitura de Salvador ao editar o Ato Nº 36, sancionado pelo prefeito José Americano da Costa, em 3 de abril de 1933, e publicado no Diário Oficial do Estado, na página 24 da edição de 5 de abril de 1933.

Pelo ato do Poder Executivo, a Rua dos Marchantes, no bairro de Santo Antônio, recebeu uma nova designação: Rua Catharina Paraguassú. Todavia, um mês depois, pelo Ato Nº 44, de 10 de maio de 1933, a antiga Rua dos Marchantes recebeu novo nome, passando para Rua Deraldo Dias.

No ano seguinte, a Matriarca do Brasil ganhou espaço noutro logradouro, no bairro da Graça, fundado por ela e Caramuru. A chamada Rua Nova do Stadium da Graça (num loteamento em terras de Octávio Ariani Machado, nas proximidades da Igreja da Graça) foi oficialmente batizada como Rua Catharina Paraguassú pelo Ato 12, sancionado pelo prefeito José Americano da Costa, em 27 de julho de 1934, e publicado na página 15 do Diário Oficial do Estado de 1º de agosto de 1934. Recebeu o Codilog número 401, conforme registro na Coordenadoria Central de Informações (Coinf), órgão técnico integrante da estrutura do governo municipal.

Na revisão das nomenclaturas dos logradouros públicos da Região Administrativa VI, trabalho executado pela Coinf, a Rua Catharina Paraguassú - que começa na Avenida Euclydes da Cunha e termina na Rua Engenheiro Alexandre Maia - teve a sua designação, com a grafia original, confirmada pela Lei 5.687, sancionada pelo prefeito Antônio Imbassahy, em 29 de dezembro de 1999, e publicada na página 2 do Diário Oficial do Município de 30 de dezembro de 1999.

O mesmo critério, de fidelidade ao topônimo adotado como oficial no âmbito municipal, norteou a Câmara Municipal de Salvador ao aprovar o Projeto de Lei 79, de 2 de abril de 2012, de autoria do vereador Pedro Godinho, propondo o 26 de janeiro como o Dia Municipal de Catharina Paraguassú.

Na complementação do trâmite legal, a Prefeitura de Salvador, também por coerência na uniformidade toponomástica, manteve no texto da Lei 8.272 - sancionada pelo prefeito João Henrique Carneiro, no dia 9 de maio de 2012, que instituiu em Salvador o Dia Municipal de Catharina Paraguassú - a grafia que tinha sido oficializada pela Prefeitura em 1933 e revalidada em 1999, após aprovação pelo Legislativo Municipal: Catharina Paraguassú.

Enfim, respaldado nos registros históricos nas lousas do Santuário de Nossa Senhora da Graça (em Salvador), na norma oficial vigente na municipalidade soteropolitana (Prefeitura e Câmara) e também na busca do Código de Endereçamento Postal da Rua Catharina Paraguassú, no portal oficial dos Correios (www.buscacep.correios.com.br), optei pela grafia com TH no prenome e dois S no sobrenome, ou seja: Catharina Paraguassú.

NOTA: Era comum se escrever o prenome acompanhado apenas do primeiro sobrenome. Exemplos: Paulo Dias (ao invés de Paulo Dias Adorno), Pero Fernandes (Pero Fernandes Sardinha), Pero do Campo (Pero do Campo Tourinho), Pero Lopes (Pero Lopes de Souza), etc.