Mais Respeito à História e à Memória dos que Trabalharam na Delimitação de 1986

Ubaldo Marques Porto Filho

Aurélio Souza
Professor, geógrafo, historiador, escritor

Aurélio Ângelo de Souza nasceu no Rio Vermelho, na casa de número 64 da Rua Conselheiro Pedro Luiz, em 11 de setembro de 1931. Diplomado em geografia, era poeta, ensaísta, escritor, jornalista, radialista, educador e historiador. Em 1961 publicou ‘Nas Bandas do Rio Vermelho’, primeiro livro sobre a história desse bairro.

Professor de várias gerações de jovens do Rio Vermelho, lecionou no Instituto Medalha Milagrosa, no Instituto Senhora Santana e no Colégio Estadual Manoel Devoto. Fundou e dirigiu dois jornais no bairro (Pansofia e Rio Vermelho Jornal), foi presidente da Associação Atlética Rio Vermelho, entidade sócio-esportiva-cultural, e liderou a campanha que resultou na construção da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior.

No Rio Vermelho também sedimentou a base política que o levou ao legislativo municipal. Foi vereador por dez anos consecutivos, em três legislaturas: 1967-1970, 1971-1972 e 1973-1976.

Como geógrafo, historiador e grande conhecedor do Rio Vermelho, foi um dos mais atuantes consultores na fixação da delimitação do bairro, em 1986. O Professor Aurélio faleceu aos 74 anos, em Salvador, no dia 1º de novembro de 2005.

Licídio Lopes
Mestre-de-obras, artista plástico, escritor

Licídio Reginaldo Lopes nasceu no Alto de São Gonçalo, Rio Vermelho, em 26 de abril de 1899. Foi pescador, pintor de paredes e mestre-de-obras até tornar-se pintor primitivo de trabalhos muito elogiados pelos críticos das artes plásticas.

Em 1984, transformou-se no segundo escritor a publicar um livro contendo a história do seu bairro: ‘Rio Vermelho e Suas Tradições’, que escreveu ao longo de décadas e foi prefaciado por Jorge Amado. A obra é uma preciosidade histórica, pois resgata hábitos e costumes vigentes no Rio Vermelho durante a primeira metade do século XX.

Em função do seu grande saber sobre o bairro, foi consultor da delimitação que resultou na elaboração do mapa de 1986, seu último trabalho em prol do Rio Vermelho.

No dia 11 de agosto de 1986, em Sessão Solene na Câmara Municipal de Salvador, recebeu a Medalha Thomé de Souza, a mais alta honraria concedida pela primeira casa legislativa do país. O Mestre Licídio faleceu aos 88 anos, em 22 de maio de 1987.

Tarquínio Gonzaga
Advogado, fotógrafo, historiador oral

Tarquínio de Oliveira Gonzaga nasceu em Salvador, no dia 13 de agosto de 1911. Constituía-se num dos maiores conhecedores da história do Rio Vermelho, dono inclusive de um importante acervo iconográfico sobre o bairro, com registros feitos por ele mesmo, pois tinha na fotografia o hobby predileto.

Era muito requisitado para prestar depoimentos sobre o Rio Vermelho, onde residia desde os seis anos de idade. Foi um dos fundadores da Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho (Amarv), e durante oito anos integrou o seu Conselho Consultivo. E foi nessa condição que atuou como consultor dos trabalhos da delimitação do bairro.

O Doutor Tarquínio, como era chamado, por ser advogado, faleceu em Salvador, no dia 11 de junho de 1999, aos 87 anos, dos quais 81 vividos como morador do Rio Vermelho, sendo 60 com domicílio na Chácara Lucaia, que em 1971 teve 178 mil metros quadrados desmembrados para o surgimento do loteamento Parque Lucaia, que um grupo de técnicos da Prefeitura quer levar para Brotas. Em sua homenagem existe no Rio Vermelho a Praça Tarquínio Gonzaga, oficializada pela Lei 6.126, de 31 de maio de 2002.

Alberto Menezes França
Barbeiro, membro do culto afro, líder comunitário

Alberto Menezes França, o popular Béu, nasceu em São Félix, no Recôncavo, em 27 de fevereiro de 1947. Com tenra idade chegou ao Rio Vermelho, tendo a família fixado residência no Alto de São Gonçalo. Durante 40 anos, sua mãe, Zulmira de Agê-Marê, manteve um tabuleiro de acarajé no Largo da Mariquita.

Sua única profissão foi a de barbeiro, que sempre exerceu no Rio Vermelho, onde se notabilizou como líder comunitário, sendo presidente do Conselho Comunitário do Alto de São Gonçalo e presidente do Conselho Consultivo da Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho (Amarv). Destacou-se também no culto afro, chegando a nangebê da Casa Branca, o mais antigo candomblé da Bahia.

Figura muito conhecida no Rio Vermelho, o Barbeiro Béu faleceu durante uma viagem a Itabuna, em 23 de março de 2001, aos 54 anos, sendo sepultado em Salvador.   Pela Lei 6.126, de 31 de maio de 2002, foi homenageado pela Cidade do Salvador: uma pracinha, ainda sem nome, localizada no Parque Primavera, foi designada Praça Menezes França, que alguns técnicos municipais querem retirar do Rio Vermelho para colocar na Federação.

Osório Villas Boas
Morador símbolo do Rio Vermelho e líder político

Osório Cardoso Villas Boas nasceu em 7 de outubro de 1914, na Chácara Pinheiro, uma propriedade localizada entre a Pedra da Marca (no Alto de São Gonçalo) e a Vila Matos.

Policial famoso, muito conceituado no Rio Vermelho, onde era líder dos festejos populares em louvor à padroeira Senhora Sant’Ana, em 1950 foi eleito vereador. Em 1954, assumiu a presidência do Esporte Clube Bahia e ganhou notoriedade nacional quando o time se tornou o primeiro campeão do futebol brasileiro (1959).

Com a transformação da Chácara Pinheiro no loteamento Parque Primavera, Osório construiu na Rua Barão de Triunfo, principal logradouro do Parque Primavera, a casa de número 41, onde residiu por três décadas, até o falecimento, aos 83 anos, em 7 de janeiro de 1999.

Quando o nome do bairro era citado, sempre dizia uma frase que virou uma de suas marcas: “Nasci no Rio Vermelho, fui batizado no Rio Vermelho, fiz a primeira comunhão no Rio Vermelho, casei-me no Rio Vermelho e nunca morei fora do Rio Vermelho”.

Em 1986, durante o estabelecimento dos limites do Rio Vermelho, Osório Villas Boas, que se encontrava no quinto mandato como vereador, e era o líder político do bairro, foi um dos consultores e avalista da formatação final do trabalho.

Fernando Loureiro
Delegado-adjunto do IBGE na Bahia

Em 1986, O IBGE na Bahia deu todo o apoio técnico à preparação final da delimitação do Rio Vermelho e à realização do Censo do Rio Vermelho, primeiro recenseamento realizado no Brasil em nível de bairro.

Como delegado-adjunto regional do IBGE, Fernando Loureiro foi o coordenador-técnico dos trabalhos, tendo inclusive publicado um artigo na página três da edição número dois (novembro de 1986) do Jornal do Rio Vermelho, editado pela Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho - Amarv.

Publicado na Folha do Rio Vermelho,
página 6 da edição nº 12, julho 2010.