Reunião com o Chefe da Casa Civil

Ubaldo Marques Porto Filho

Inexplicavelmente, os secretários que passaram pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano, Habitação e Meio Ambiente (Sedham) não acataram a determinação do prefeito João Henrique Carneiro em refazer o trabalho da delimitação dos bairros de Salvador, na parte do Rio Vermelho, para mantê-lo conforme a configuração definida em 1986.

Nos bastidores corria a informação de que, por força dos acordos políticos que João Henrique teve de fazer para poder se reeleger prefeito, viu-se obrigado a ‘vender a alma ao diabo’. Como consequência, tornou-se público e notório, que vários secretários, indicados pelos acordos da reeleição, transformaram suas secretárias em verdadeiros feudos independentes, onde o prefeito nada ou quase nada mandava. Sem pulso forte para manter a liderança como prefeito, acabou perdendo a autoridade e o controle em diversos redutos da máquina administrativa.

De um assessor do prefeito cheguei a ouvir uma revelação estarrecedora: “João só manda mesmo em poucas secretarias, nas que ele colocou titulares da sua confiança”. E citou os nomes das secretarias dele, onde os secretários cumpriam as suas determinações. A Sedham não fazia parte do bloco do prefeito.

Essa seria a explicação para os técnicos da Coordenadoria Central de Produção de Indicadores Urbano-Ambientais (Copi), órgão da estrutura da Sedham, não cumprirem a ordem de manter o Rio Vermelho de acordo com os limites de 1986. Eles tinham a cobertura do secretário da Sedham, que lhes apoiava de forma integral.

Com João Leão, deputado federal licenciado, na chefia da Casa Civil, com super poderes (diziam que era o prefeito de fato) o Rio Vermelho obteve uma audiência para tratar da questão da manutenção dos limites do Rio Vermelho. Foi no dia 9 de setembro de 2011, na Sala de Reunião do Palácio Thomé de Souza, com a participação de representantes da Central das Entidades do Rio Vermelho, da Paróquia de Sant’Ana do Rio Vermelho, do Conselho Paroquial do Rio Vermelho, da Associação Comunitária Caramuru, do Conselho de Cultura e Turismo do Rio Vermelho, da Academia dos Imortais do Rio Vermelho, da Casa de Cultura Carolina Taboada, da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil-Bahia, da Associação Brasileira de Agências de Viagens da Bahia (Abav) e da Associação Cultural Hispano-Galega Caballeros de Santiago. Por convocação de João Leão, também esteve presente o secretário Paulo Damasceno, da Sedham, a quem o assunto se encontrava vinculado, que prometeu rever a questão dos limites do Rio Vermelho.

Na edição desse mesmo mês (nº 24), reportando-se à reunião comandada pelo poderoso chefe da Casa Civil da Prefeitura, a Folha do Rio Vermelho deu a seguinte notícia:

“Caso efetivamente seja atendida a reivindicação contra a mutilação da área territorial do bairro, a Central das Entidades do Rio Vermelho vai desmobilizar o aparato que montou para combater o projeto durante a sua tramitação na Câmara Municipal.
Também desengatilhará o ajuizamento de uma ação no Tribunal de Justiça da Bahia, conforme orientação de uma consultoria jurídica, vez que os advogados entendem que em direitos adquiridos e comprovados não se mexe”.