Origem da Família Taboada

Ubaldo Marques Porto Filho

A toponímia Taboada é de origem espanhola, ou melhor, para ser mais preciso, é um vocábulo galego. Segundo o etimólogo Juan Caraminas, derivou do latim ‘tabula’, que significa ‘tábua, peça de madeira plana’.

Na Galícia, no noroeste da Espanha, bem na parte central do Vale do Minho e perto da cidade de Lugo, formou-se um povoado com o nome Taboada, surgido em função da extração madeireira que ali se consolidou. Isso ocorreu quando a população galega estava sendo formada pela miscigenação entre os primitivos habitantes e os sucessivos ocupantes da região: celtas, romanos, germânicos, normandos, visigodos e árabes.

Também em época remota, a designação da localidade foi adotada como sobrenome de um morador, dando origem à família Taboada. Da primitiva casa em Taboada, a família Taboada foi se ramificando. Espalhou-se pelo território galego (hoje formado pelas províncias de Lugo, Ourense, Pontevedra e A Coruña) e por várias outras regiões da Península Ibérica, inclusive a Lusitânia, atual Portugal.

Existem registros de que membros da família Taboada participaram da famosa batalha de Las Navas de Tolosa, ocorrida em 16 de julho de 1212, quando os cristãos derrotaram os muçulmanos no território da atual província de Jaén, na Andaluzia, sul da Espanha. Os historiadores consideram essa vitória como decisiva para a expulsão definitiva dos mouros, que resistiram até 1492, no reino de Granada, último estado muçulmano na Espanha.

Vários integrantes da família ingressaram em ordens militares, religiosas e deram grande prestígio ao nome Taboada, tendo inclusive surgido, em 1413, uma linhagem de nobres, os condes de Taboada, que não ficou restrita aos homens.  Em 20 de setembro de 1683, Carlos II concedeu a Maria Teresa de Taboada y Castro o título de Condessa de Taboada. Em seguida, a família teve dois personagens que alcançaram destaque na hierarquia da Igreja Católica na Espanha: Felipe Antonio Gil Taboada, arcebispo de Sevilha (1720/22) e Cayetano Gil Taboada, arcebispo de Santiago de Compostela (1741/51).

No Arquivo Geral Militar de Segóvia constam os nomes de José Taboada, como comandante de um Regimento de Cavalaria (1763), Pedro Taboada, no Regimento de Infantaria (1799) e Joaquín Taboada, como capelão (1803). Há ainda o general Felipe Gil de Taboada, que venceu os franceses do exército de Napoleão na batalha de Cogarderas, em Astorga.

Cayetano Taboada Sotelo obteve destaque na política, como deputado provincial de Pontevedra, em 1861. Luís Taboada, que nasceu em Vigo (1848) e faleceu em Madrid (1906), obteve fama como escritor, autor de diversas obras literárias importantes. Em 1907, nasceu em Verín (Ourense), Xesús Maria Taboada Chivite, que se transformaria num notável pesquisador, etnógrafo e historiador da cultura galega.

Na América Espanhola três membros da família ocuparam posições de  relevo: Gonzalo Taboada, que foi corregedor da Justiça Maior de Santiago do Chile; Juan Taboada, procurador da Câmara Municipal da Cidade da Guatemala, sede da capitania-geral que administrava a América Central; e Francisco Gil Taboada, vice-rei da Nova Castilha (Peru) e da Nova Granada, vasto território que incluía as atuais Colômbia e Venezuela, além de partes do Equador e Panamá.

Uma outra personalidade importante foi Manuel Taboada, nascido na Argentina, na província de Santiago del Estero. Caudilho poderoso, exerceu grande influência na política nacional e, por diversas vezes, governou a província natal nas décadas de 1850 e 1860. Seu irmão, o general Antonio (Antonino) Taboada, além de respaldar o poder da família Taboada em Santiago del Estero, também participou da vida política argentina, tendo sido candidato a presidente da Nação. Mas perdeu a disputa para Domingo Faustino Sarmiento, também descendente de galegos.

Outro general famoso foi o mexicano Rodolfo Sánchez Taboada, nascido em Acatzingo (1895), no estado de Puebla, e falecido na Cidade do México (1955). Ganhou notoriedade como militar revolucionário e depois como político: foi governador da Baixa Califórnia (1937-44), presidente do Partido Revolucionário Institucional (1946-52) e ministro da Marinha (1952-55). O aeródromo de Mexicali, capital do estado que governou, foi batizado com seu nome: Aeroporto Internacional General Rodolfo Sánchez Taboada.

Apenas para citar mais um exemplo marcante da família no continente americano, existe Jorge Taboada Moscoso, pioneiro da indústria chocolateira na Bolívia. Em 1948, na cidade andina de Sucre, ele fundou a fábrica dos afamados Chocolates Taboada, hoje dirigida pelo filho Carlos Enrique Taboada Bejarano.

A família que se originou na Galícia – no vale cortado pelo Rio Minho, tendo certamente um madeireiro como fundador, que transmitiu pelo sangue de seus descendentes a seiva dos desafios sem fronteiras –, também chegou ao Brasil e se espalhou pelo seu vasto território, da Amazônia ao Rio Grande do Sul. Na Bahia, a história começou no dia 22 de novembro de 1892, com o desembarque em Salvador de um adolescente nascido em Cerdedo, José Taboada Vidal.

Texto extraído do livro
‘José Taboada Vidal, Benemérito do Rio Vermelho’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 2009.