O Primeiro Taboada na Bahia

José Taboada Vidal

Ubaldo Marques Porto Filho

Oriundo da Galícia, região no noroeste da Espanha, José Taboada Vidal, nascido em Limeres, aldeia do município de Cerdedo, na província de Pontevedra, desembarcou no Porto de Salvador em 22 de novembro de 1892, quatro dias antes de completar 15 anos. O jovem galego foi imediatamente levado para trabalhar no balneário do Rio Vermelho, como balconista no armazém de um patrício, Manoel Sobrinho Gonçalves, de quem se tornaria sócio em abril de 1903.

Em 1906, aos 28 anos, José Taboada desligou-se do patrão para administrar sozinho o Armazém Rio Vermelho, que transformou numa casa sofisticada, especializada em tecidos, confecções e miudezas em geral, que nada ficava a dever às melhores lojas do centro da capital baiana.  Ainda apostando no poder aquisitivo dos veranistas, dos turistas e da população fixa que o balneário ganhava, José Taboada montou um segundo estabelecimento, também no Largo de Santana. Foi a Confeitaria Oceânica, inaugurada em 1914. Ficou famosa por possuir uma seção de importados finos e um requintado bar reservado, com mesas de mármore, que se transformou num ponto de encontro dos alemães que residiam no balneário.

No bairro onde construiu a vida profissional, constituiu a vida familiar e sempre residiu, José Taboada fez incontáveis amigos, em todos os segmentos da sociedade riovermelhense, das pessoas mais humildes aos mais influentes. Conhecia todo mundo e todos o respeitavam. Sua palavra possuía credibilidade incontestável. Seu nome era sinônimo de honradez e dignidade.

José Taboada Vidal faleceu no sobrado em que residia, na Rua João Gomes, esquina com o Largo de Santana. Era viúvo de Amália Taboada Souza, com quem teve sete filhos: Adelino, Ramon, Manoel, Nelson, Aníbal, Nilza e Affonso, formadores de um clã familiar que se tornou símbolo do Rio Vermelho.

Com a morte de José Taboada, último representante de uma geração de notáveis patriarcas, expoentes na comunidade, que devotavam grande amor pelo bairro, encerrou-se um ciclo na história do Rio Vermelho.

Em 18 de maio de 1967, 16 dias após o desenlace, o vereador Aurélio Ângelo de Souza deu entrada na Câmara Municipal do Projeto de Lei nº 41/67, propondo a mudança do nome da Travessa Santana para Rua José Taboada Vidal.

Acompanhou o processo uma justificativa de motivos, onde o edil, no parágrafo inicial, registrou:


“José Taboada Vidal, cognominado ‘Benemérito do Rio Vermelho’, pelos moradores do bairro, cujas gerações acostumaram-se a lhe querer bem e com ele muitas vezes aconselharam-se, pelo respeito e bom senso que soubera impor, através de sua vida austera de homem correto, foi um exemplo de lição para a humanidade”.

Aprovado pelo legislativo municipal, o projeto foi transformado na Lei nº 1998, sancionada pelo prefeito Antônio Carlos Magalhães em 7 de julho de 1967, tendo a Rua José Taboada Vidal sido registrada no cadastro municipal com o código nº 1390.

A notícia foi muito bem recebida no bairro, pois a iniciativa do vereador Aurélio Souza espelhava o desejo de inúmeros moradores. Afinal, era justíssima a homenagem ao protetor dos pescadores do Rio Vermelho e principal baluarte na construção da nova Igreja Matriz de Senhora Sant’Ana.

A biografia do ‘Timoneiro da Nova Igreja’, título que recebeu em vida do padre Antônio Vieira, encontra-se no livro ‘José Taboada Vidal, Benemérito do Rio Vermelho’, escrito por Ubaldo Marques Porto Filho e publicado em 2009.

Texto extraído das páginas 59/61 do livro
‘100 Anos da Paróquia do Rio Vermelho’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 2013.