Affonso Taboada Souza

Ubaldo Marques Porto Filho

Affonso José Taboada Souza nasceu no Rio Vermelho, bairro de Salvador, em 2 de abril de 1918. Era o caçula dos sete filhos de Amália e José Taboada Vidal, espanhóis da Galícia. A infância e a adolescência transcorreram de forma idêntica a dos irmãos, com estudos iniciais no arrabalde, o trabalho a partir dos oito anos e o curso no Colégio Antônio Vieira, um dos centros educacionais polarizadores dos jovens da elite baiana.

Residindo defronte à Enseada de Santana, os banhos de mar eram constantes e diários nos períodos das férias estudantis. Participava dos ofícios religiosos na igrejinha, dos festejos em louvor à santa padroeira e das festividades de largo promovidas pelos veranistas. Mas, o que mais gostava era do dia de São João, quando as ruas ficavam enfeitadas, repletas de fogueiras e grupos de pessoas indo de casa em casa para beber licor de jenipapo, comer canjica de milho e saborear outras iguarias típicas da época junina. Seu pai, devoto de São João Batista, padroeiro de Cerdedo, sua cidade natal, era muito conhecido pela queima de fogos de artifício e pelos balões que soltava no Largo de Santana.

Ao concluir o curso secundário, Affonso voltou-se integralmente ao trabalho nas casas comerciais do pai: Armazém Rio Vermelho, Pastelaria Globo e Confeitaria Oceânica. Nessa última havia um bar reservado, frequentado pela influente colônia alemã. Seus membros ali se reuniam, todos os dias, a partir do entardecer, para longas conversas regadas com muita cerveja e charutos. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1° de setembro de 1939, o bar se transformou num palco de acaloradas discussões sobre o conflito que inicialmente envolveu a Alemanha contra a Grã-Bretanha e a França. Affonso, que fazia o atendimento da clientela, onde figuravam importantes empresários e empregados do alto escalão das empresas alemãs com escritórios em Salvador, foi uma das fontes dos subsídios que permitiram a elaboração do livro ‘Rio Vermelho’, de minha autoria, publicado em 1991.

Homem afável, verdadeiro gentleman, Affonso Taboada gozava de muita estima e respeito no Rio Vermelho. Um dos notáveis da comunidade, presidiu a Comissão de Juízes da Festa do Rio Vermelho que se realizava no verão e havia uma intensa participação dos moradores. A programação, vastíssima, era dividida em duas partes: a religiosa, com novenário, missas e procissão); e a popular, com Quermesse, Concurso da Rainha, Banho de Mar à Fantasia, Bando Anunciador, Sábado dos Ternos e Ranchos, Segunda-Feira Gorda, Lavagem da Igreja e a Entrega do Ramo. Barracas de bebidas e comidas típicas, no entorno do Largo de Santana, tornavam as noites muito movimentadas.

Empresário conceituado, Affonso foi diretor da Cerâmica Santa Maria, da Indústria Baiana de Lajes e de Irmãos Taboada & Cia. Ltda., que atuava na área das representações. Fez parte da Associação Comercial da Bahia, tendo sido membro do Conselho do Comércio, nos biênios 1965-67 e 1967-69, e do Conselho da Indústria no período 1969-71. Durante três anos (1975/77) foi membro do Conselho Fiscal da Bahiatursa, órgão oficial do turismo baiano.

Participou do Rotary Club da Bahia e com a criação do Rotary Club Bahia Norte, transferiu-se para essa nova unidade rotária. Católico dos mais fervorosos, teve participação ativa - juntamente com o pai, a irmã Nilza e o irmão Nelson -, na construção da nova Igreja Matriz do Rio Vermelho, solenemente inaugurada no dia 26 de julho de 1967.

Affonso Taboada morreu na capital baiana, aos 85 anos, em 27 de maio de 2003, vitimado por uma pneumonia bacteriana, seguida de parada cardiorespiratória. Foi enterrado no Cemitério dos Estrangeiros, também chamado de Cemitério Alemão, ao lado da esposa, que era alemã de Hannover e veio a falecer aos 72 anos, em 6 de dezembro de 1987, no Hospital Jorge Valente, onde contraiu infecção hospitalar após uma pequena cirurgia.

Por solicitação da Associação dos Moradores e Amigos do Rio Vermelho (Amarv), a Câmara Municipal de Salvador prestou significativa homenagem ao ilustre filho do Rio Vermelho ao aprovar o Projeto de Lei 122/03, de autoria do vereador Gilberto José dos Santos Filho. Transformado na Lei 6.427 - sancionada pelo prefeito Antônio Imbassahy, em 21 de novembro de 2003, e publicada na página 4 do Diário Oficial do Município, edição de 24 de novembro de 2003 -, o logradouro com código 9148, no Parque São Cristóvão, região de Itapuã, recebeu a designação de Rua Affonso Taboada.

Texto condensado das páginas 243/250 do livro
‘Família Taboada na Bahia’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 2008.