José Carlos Taboada

Ubaldo Marques Porto Filho

José Carlos Taboada nasceu no Rio Vermelho, no dia 1º de fevereiro de 1948, em plena efervescência das festas em louvor à Senhora Sant’Ana, padroeira do bairro, que na época eram celebradas no verão, com vasta programação nos meses de janeiro e fevereiro.

José Carlos nasceu no dia de Santa Brígida. Era um domingo e o Largo de Santana se encontrava cheio de barracas e o povo fazia festas nas ruas e na igrejinha do largo teve missas pela manhã e à tardinha. Como se isso não bastasse, no dia seguinte, 2 de fevereiro, Dia da Mãe D’Água, como o povo chamava Yemanjá, as festividades transcorreram na Casa do Peso e na Praia de Santana.

E foi assim, num clima de intensas festividades que a chegada de José Carlos foi saudada no Rio Vermelho. Isso talvez explique o seu perfil, sempre alegre e festeiro. Adorava as festas de Sant’Ana, de Yemanjá, a Lavagem do Bonfim, o Carnaval e o São João.

Também gostava muito do futebol, sendo torcedor fanático do Botafogo, daqui de Salvador, e do Vasco da Gama, do Rio de Janeiro. Na música, tinha uma grande adoração por Noel Rosa. Sabia cantarolar todas as composições do famoso compositor carioca. Gostava também das músicas de Chico Buarque de Holanda e da Bossa Nova, gênero criado pelo baiano João Gilberto.

José Carlos casou-se com a primeira e única namorada, Maria Olympia de Figueiredo, a Poquinha, de família tradicional no Rio Vermelho, como a dele. Viveram, desde a adolescência, uma grande história de amor. Tiveram três filhas: Thábata, Ticiana e Thalita.

Homem de excelente caráter, esposo e pai exemplar, José Carlos era um advogado com vasto conceito nos meios profissionais. Homem de paz, não se tem notícia de haver constituído inimigos, pois suas relações com terceiros sempre foram respaldadas no respeito e na pureza que o caracterizaram como pessoa correta e responsável.

Seus antigos amigos do Rio Vermelho estão sugerindo à família que as cinzas sejam depositadas na Praia de Santana, onde ele aprendeu a nadar, fez amizades com os pescadores, jogava futebol e participava das festas de Yemanjá e do Banho de Mar à Fantasia.

As cinzas de José Carlos Taboada no Porto de Santana simbolizarão o início do caminho que o levará à morada definitiva, onde ele, certamente, vai pedir permissão a São Pedro para instalar uma banca advocatícia, continuar semeando a alegria e festejar Senhora Sant’Ana, Senhor do Bonfim e Yemanjá, num sincretismo religioso saudável e bem característico do povo baiano.

NOTA:

Este texto, elaborado pelo biógrafo da Família Taboada,  foi lido no Crematório do Cemitério Jardim da Saudade, na tarde de 25 de novembro de 2011 (dia do falecimento), por Clóvis Cavalcanti Bezerril, presidente da Central das Entidades do Rio Vermelho.

As cinzas de José Carlos Taboada foram depositadas nas águas da Praia de Santana, imediatamente após a celebração de uma missa na Igreja Matriz de Sant’Ana do Rio Vermelho, na manhã do dia 1º de fevereiro de 2012, quando José Carlos Taboada completaria 64 anos de idade.

A Praia de Santana fica defronte à antiga Igreja de Senhora Sant’Ana, no Largo de Santana, onde José Carlos Taboada  foi batizado, em 21 de agosto de 1948, pelo padre Alcides Barreiros Cardoso, tendo como padrinhos os tios Nelson Taboada Souza e Maria Antonieta Almeida Taboada.