Manoel Taboada Souza

Ubaldo Marques Porto Filho

Manoel Taboada Souza foi o único dos sete filhos de José Taboada Vidal que não nasceu no Brasil. Nasceu na cidade espanhola de Vigo, na Galícia, em 28 de fevereiro de 1909. Veio para Salvador com nove meses.

Após os estudos iniciais no Rio Vermelho, ingressou no Colégio Antônio Vieira, mantido pelos padres jesuítas. O educandário era famoso pela disciplina férrea, pela excelência do ensino e por congregar filhos dos coronéis do interior e das famílias tradicionais de Salvador. José Taboada não pertencia a nenhuma dessas categorias, mas suas amizades, com pessoas influentes que veraneavam no Rio Vermelho, garantiram-lhe vagas para os filhos no colégio da elite católica.

Na vida profissional, Manoel começou como vendedor viajante de uma empresa atacadista sediada em Salvador. Depois, a convite do irmão Ramon, foi para Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde montou uma empresa de representações.

Em 11 de novembro de 1937, fundou com o irmão a Irmãos Taboada, que os transformou em prósperos empresários no segmento das representações de produtos químicos, farmacêuticos e de instrumentos cirúrgicos.

De temperamento calmo, característica comum a todos os irmãos Taboada, andava sempre risonho e bem humorado. Espirituoso, tinha tiradas engraçadas. Numa época que ainda não se falava em câncer de pele, provocado pela demasiada exposição ao sol em pino, ele já alertava para os perigos. Frequentemente dizia: “Muito sol é bom apenas para secar roupa!”.

Tendo passado a infância e a adolescência no Rio Vermelho, e por não conhecer a cidade natal, Manoel julgava-se filho da capital baiana. Nos documentos que não necessitavam de comprovação, sempre colocava Salvador como local da naturalidade. Quando lhe perguntavam em que bairro havia nascido, respondia sem hesitação: “Sou do Rio Vermelho!”.

Em respeito ao pai, que nunca admitiu renúncia à cidadania espanhola, Manoel evitou requerer a naturalização. Porém, deu entrada no pedido, no Ministério da Justiça e Negócios Interiores, quando completou 56 anos. Tornou-se cidadão brasileiro por decreto assinado pelo presidente Arthur da Costa e Silva, em 23 de maio de 1967, exatamente 21 dias após o falecimento do pai, José Taboada Vidal.

O seu amor pelo Rio Vermelho, fez com que voltasse a residir no bairro inesquecível. Foi em 1969, quando se aposentou, após o encerramento voluntário das atividades da empresa Irmãos Taboada. Também pôs um ponto final no ciclo de 35 anos morando em Belo Horizonte, onde nasceram seus quatro filhos. Fixou-se numa casa que já possuía na Rua Dr. Odilon Santos n° 29. Localizada no trecho da orla marítima, entre o Largo da Mariquita e a Praça Brigadeiro Faria da Rocha, a casa ficava bem junto à entrada para o Hotel Meridien, atual Hotel Pestana.

Mas ficou pouco tempo no Rio Vermelho, pois o barulho do tráfego de veículos fez com que procurasse por um local sossegado. Em 1972, Manoel mudou-se para Brotas, onde construiu uma casa num condomínio familiar, compartilhado com os filhos Manoel (Nelito) e Constança.

Usufruiu do novo recanto até ser vitimado por um câncer no estômago. Operado pelo cirurgião Raymundo Perazzo, no Hospital Espanhol, em 5 de outubro de 1982, teve uma sobrevida de nove meses, vindo a falecer no dia 6 de julho de 1983, aos 74 anos.

Texto condensado do Capítulo 13 do
livro ‘Familia Taboada na Bahia’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 2008.