Nilza Taboada Souza

Ubaldo Marques Porto Filho

Nilza Taboada Souza nasceu em 29 de novembro de 1915, no balneário do Rio Vermelho. Em 26 de novembro de 1916, foi batizada na Igreja de Sant’Ana do Rio Vermelho, tendo como padrinhos o casal Manoel Sobrinho Gonçalves e Clara Virgens Gonçalves.

Desde cedo, demonstrou duas grandes vocações: o gosto pela música, tocava piano com desenvoltura, e o interesse pela religião, participando intensamente das atividades na Paróquia de Sant’Ana. Aos 20 anos foi uma das juízas da festa em louvor à Nossa Senhora de Lourdes.

Na vida profissional, consagrou-se ao magistério, vindo a ser professora no estabelecimento católico em que estudara, o Colégio Nossa Senhora das Mercês, primeira instituição de ensino aberta no Brasil pela Ordem das Ursulinas. Nilza também desenvolveu o gosto pela culinária, aprendendo com a mãe os pratos típicos da cozinha galega. Com as cozinheiras que trabalharam na casa teve acesso aos segredos das iguarias baianas, tornando-se inclusive uma doceira de mão-cheia.

Com o agravamento da diabetes de dona Amália, que evoluiu para a cegueira, Nilza se tornou sua guardiã, cuidando de tudo, para que nada lhe faltasse. Aos 26 anos viu-se na condição de senhora do Solar dos Taboada, responsável pela administração de um lar habitado pelo pai, os irmãos e uma cunhada.

Solteira, Nilza dedicou-se integralmente à missão religiosa, ao magistério e à família. Com a morte da mãe, permaneceu sempre ao lado de um pai que não quis ingressar em  segundas núpcias. Em 1953, acompanhou-o numa viagem à Espanha, para uma permanência de cinco meses. Chegaram e saíram pelo porto de Vigo. Depois da Galícia, onde ficaram a maior parte do tempo, em passeios por Vigo, Pontevedra, Cerdedo, Laxe e Santiago de Compostela, passaram por diversas outras cidades, tais como Sevilha, Cadiz, Granada, Toledo, Madri, Barcelona, Palma de Mallorca e Las Palmas. Estiveram também em Gibraltar (colônia inglesa) e nas cidades portuguesas de Braga, Porto, Lisboa e Fátima, onde conheceram o Santuário famoso.

No Rio Vermelho, Nilza desfrutava de elevado conceito. Constituía-se inclusive numa forte liderança da comunidade paroquial. Verdadeira ‘sacerdotisa’, além de festas religiosas e solenidades litúrgicas, organizava  a procissão anual da padroeira do bairro. Na fase da construção da nova Igreja Matriz foi colaboradora das mais ativas, ficando inclusive responsável pelas finanças do empreendimento. Dentro do cronograma das arrecadações, promovia quermesses, bingos e campanhas donativas.

Pelo prestígio adquirido junto aos católicos, era muito procurada pelos políticos. Porém, os votos das pessoas que seguiam sua orientação eram de Osório Villas-Boas, filho do Rio Vermelho e amigo da família desde a infância.
Nilza Taboada Souza faleceu em Salvador, aos 86 anos, em 19 de abril de 2002, dia de Santa Ema da Saxônia. A exemplo da santa, verdadeira serva de Cristo, Nilza também levou uma vida dedicada ao esposo celestial, com abnegação às orações e às obras assistenciais da Igreja Católica. Foi presidente da Liga Católica Senhora Sant’Ana do Rio Vermelho.

Texto extraído das páginas 74/75 do livro
‘Família Taboada na Bahia’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 2008.