Ramon Taboada Souza

Ubaldo Marques Porto Filho

Ramon Taboada Souza, segundo filho de José Taboada Vidal e Amália Souza Taboada, nasceu no Rio Vermelho, em Salvador, no dia 9 de agosto de 1907.

Após os estudos iniciais no Rio Vermelho, Ramon foi matriculado no Colégio Antônio Vieira, dos pades jusuítas. Aos oito anos, passou a dividir o tempo entre as obrigações escolares e o trabalho nas casas comerciais do pai.

Aos 18, ingressou no Tiro de Guerra 284. Concluído o serviço militar, começou a trabalhar para terceiros, pois desejava fugir da rotina dos balcões no Armazém Rio Vermelho e na Confeitaria Oceânica, estabelecimentos do pai.

Transformou-se em vendedor de uma empresa de representações. No mister de pracista, ou caixeiro viajante na designação popular, percorria cidades localizadas às margens das linhas ferroviárias e dos portos da navegação costeira ou fluvial.

Um dia, em 1930, vindo de uma viagem, chegou ao Rio Vermelho com uma tosse intermitente. O pai exigiu que fosse imediatamente ao médico. A radiografia foi assustadora, pois revelou que Ramon estava infectado pela bactéria denominada Bacilo de Koch, que provocava a destruição pulmonar. Para que o avanço da tuberculose fosse contido, o tratamento - que associava medicamentos a uma alimentação balanceada -, exigia repouso e, sobretudo e fundamentalmente, condições climáticas especiais, somente encontradas em regiões privilegiadas pela natureza.

Localizada a 850 metros de altitude, com ar puríssimo e sol muito rico em raios ultravioleta, Belo Horizonte apresentava o regime ideal para a cura completa da doença. Porém, o tratamento somente estava ao alcance de famílias que dispusessem de um elevado poder aquisitivo para manter uma pessoa internada nessa cidade pelo período de um ano. Para salvar a vida do filho, com 23 anos, José Taboada não pensou duas vezes. Despachou Ramon imediatamente para a capital mineira. Como cumpriu o regime sanatorial com disciplina exemplar e obedeceu cegamente o receituário da casa de saúde, o paciente obteve alta em dez meses.

Ao sair do Hospital Madre Teresa, Ramon resolveu permanecer em Belo Horizonte, para recomeçar a vida profissional na cidade em que havia se curado da terrível moléstia. Inicialmente trabalhou como taquígrafo num jornal, para em seguida montar uma representação de cristais.

Depois, em sociedade com o irmão Manoel funda, em 11 de novembro de 1937, a Irmãos Taboada, e entram, como representantes, no ramo dos produtos químicos, farmacêuticos e instrumentos cirúrgicos, iniciando uma trajetória bem sucedida, que os credenciaria como empresários de grande conceito na capital mineira.

Muito bem relacionado, Ramon passou a frequentar os círculos das pessoas importantes na capital mineira. Nisso, conheceu Juscelino Kubitschek e tornaram-se grandes amigos, numa amizade que perdurou até a morte do ex-presidente da República.

Homenagem do Rotary

Na abertura da reunião do dia 27 de abril de 1988, o diretor de protocolo do Rotary Club Belo Horizonte, Otacílio Ferreira Cristo, deu uma notícia que entristeceu os companheiros: “Ramon está hospitalizado, no Prontocor, com séria infecção pulmonar. Seu estado é grave”. Poucos minutos depois, o mesmo Otacílio voltou à tribuna para dar nova informação: “Ramon faleceu há poucos instantes, precisamente às 19 horas e 15 minutos”.

O presidente, Victor de Andrade Brito, pediu um minuto de silêncio. Em seguida, consternado e emocionado, após enaltecer as gigantescas qualidades pessoais e rotárias de Ramon, decretou suspensa a reunião. No outro dia, na sessão de instalação da Conferência Distrital de São Lourenço, o governador do Distrito 452, Roberto Junqueira de Alvarenga, solicitou um minuto de silêncio por intenção da alma de Ramon Taboada Souza, ex-presidente do Rotary Club Belo Horizonte. No segundo dia da Conferência, o ex-governador Francisco de Assis Albuquerque Bastos, fez o seguinte pronunciamento:

“Não poderia deixar de me manifestar a respeito de quem, durante dezenas de anos, trabalhou silenciosamente, com zelo e competência, para que jovens graduados nas universidades brasileiras pudessem se aperfeiçoar no exterior, ao mesmo tempo em que promoviam a compreensão entre os povos. Refiro-me ao saudoso Ramon Taboada Souza que, mansamente, silenciosamente e humildemente, se extinguiu anteontem à noite.
Sim, Ramon se apagou, mas não morreu na nossa lembrança e nem na saudade de seus companheiros.
Embora doente, e com 80 anos, Ramon continuava tratando os bolsistas com a atenção, o carinho e a orientação que dispensava aos seus próprios filhos. Lembro-me que muitos desses jovens, ao regressarem ao Brasil, convidavam Ramon para padrinho de seus casamentos, como reconhecimento cordial e sincero, a quem tanto os ajudava.
Adeus, meu caro Ramon. Você personificou o ideal de servir.

Texto condensado do Capítulo 12 do
livro ‘Familia Taboada na Bahia’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 2008.