Ademar da Silveira Brito

Ubaldo Marques Porto Filho

Ademar da Silveira Brito é baiano de São Felipe. Filho do casal Otávia e Américo Fagundes de Brito, nasceu em 5 de agosto de 1934. Com 17 anos foi estudar na capital baiana, no Instituto Isaias Alves. Em Salvador formou-se em contabilidade e começou a trabalhar, como auxiliar de contabilidade, na Companhia Bahiana de Tecidos, pertencente ao Grupo Matarazzo, onde construiu uma belíssima trajetória profissional, passando por diversos cargos e chefias, na área administrativa e no setor de vendas.

Com a experiência adquirida no comércio de tecidos, em 1968, aos 34 anos, decidiu trabalhar por conta própria, abrindo duas empresas: Representações de Tecidos Finos Ltda. e Ademar da Silveira Brito Representações Ltda.. No final de 1970, em sociedade com um primo e um irmão, surgiu a Carvalho Brito & Cia. Ltda., no ramo do comércio atacadista dos tecidos.

Em 21 de junho de 1975, já como empresário bem sucedido, foi admitido no quadro de associados da Associação Atlética da Bahia, onde passou a jogar futebol no campeonato da categoria dos veteranos. Participante ativo na vida do clube, logo se destacou em suas atividades, levando o presidente Nilton Silva a convidá-lo para integrar o Conselho Deliberativo. Em 1987, quase no final do segundo mandato do presidente Carlos Roberto Soares Miranda, aceitou ser Diretor Social, mas logo depois renunciou.

Em 1988 fez parte da chapa vitoriosa encabeçada por Sinval Vieira da Silva Filho, sendo Vice-Presidente Social. Em seguida, teve três passagens pela presidência. O primeiro período foi de 1990 a 1994 (duas eleições), o segundo de 1998 a 2002 (duas eleições) e o terceiro de 2004 a 2011 (três eleições).  Esses números lhe conferem dois títulos: o de presidente com o maior número de mandatos (sete) e, no somatório, o que mais tempo (15 anos) permaneceu no comando da Azulina.

Mas, não foram esses dois recordes que colocaram Ademar na posição mais alta no pódio da glória azulina. De nada eles adiantariam se o clube não pudesse voltar aos seus dias de esplendor. O que realmente lhe assegurou um lugar de honra nos anais da história do clube foi ter idealizado e liderado a construção da nova Associação Atlética da Bahia.

Inicialmente, o projeto foi visto com ceticismo e julgado como devaneio de um dirigente. Mas, com muito trabalho, perseverança e, sobretudo, honestidade franciscana na condução do projeto, Ademar conseguiu fazer o que poucos acreditavam: dar aos associados uma nova agremiação, dentro dos padrões de um moderno clube social, com a garantia da sustentabilidade financeira.

Enfim, graças à batuta de um presidente sério e incansável, que sempre acreditou no êxito de um projeto revolucionário, foi que a Associação renasceu das cinzas, pois o fogo das dívidas havia devorado a base do clube e consumido o ânimo dos associados. Juntamente com a capacidade da equipe que montou e liderou, Ademar restituiu a todos uma nova Associação, preparada para enfrentar outra etapa na sua longa existência, sem a herança dos problemas crônicos do passado.

Ademar também desenvolveu uma intensa vida associativa fora da Associação, tendo sido presidente do Lions Clube Salvador Noroeste, fundador e presidente do Lions Clube Salvador Barra, governador do Distrito LA2, com jurisdição em todo o Estado da Bahia, e assessor do Lions Clube Internacional.

No bairro em que reside e onde também fica a Associação Atlética da Bahia, presidiu, no quadriênio 2000-2004, o Conselho Comunitário de Segurança Pública da Barra, órgão de interligação da sociedade civil com a polícia comunitária, representada na Barra pela 11ª Companhia Independente da Polícia Militar.

Dentre as dezenas de diplomas que lhe foram concedidos, destacam-se os de Amigo da Imprensa, Amigo da Polícia Militar do Estado da Bahia e Amigo do Exército, além de ter recebido a Medalha da Ordem do Mérito do Senhor do Bonfim, no Grau de Comendador.

Em Sessão Solene da Câmara Municipal de Salvador, no dia 28 de agosto de 1991, Ademar recebeu a Medalha Thomé de Souza. A proposta para a outorga da mais alta honraria concedida pela mais antiga casa legislativa do Brasil, foi do vereador João Dantas, que presidiu a solenidade realizada no Plenário Cosme de Farias.

Texto publicado na capa 4 do livro
‘História da Associação Atlética da Bahia’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em  2012.