Cid Teixeira

Ubaldo Marques Porto Filho

Cid José Teixeira Cavalcante nasceu na Ilha de Maré, município de Salvador, em 11 de novembro de 1924. Enquanto cursava a Faculdade de Direito (1944-1948) dava os passos iniciais como professor, lecionando história no Colégio São Salvador, trabalhava como jornalista no Diário da Bahia e fazia pesquisas no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.

Aos poucos, o doutor Cid Teixeira foi dividindo e transferindo o labor jurídico à esposa, Expedita Teixeira, também professora e advogada. Cid passou a mergulhar, cada vez mais profundamente nas pesquisas históricas, no magistério e na imprensa, escrita e falada.

No ensino, o mestre dividia o tempo entre as classes dos níveis médio e superior, como professor do Estado e da Universidade Federal da Bahia. No jornalismo, depois do início no Diário da Bahia, foi colaborador de A Tarde, editorialista do Jornal da Bahia e editor-chefe da Tribuna da Bahia.

Dono de voz marcante, poderosa e inconfundível, Cid Teixeira lançou em 1967, na Rádio Cruzeiro da Bahia, o programa ‘Pergunte ao José’, que se transformou num dos ícones do rádio baiano. Depois, na Rádio Cultura da Bahia, comandou o ‘Enciclopédia Cultura’ e na Rádio Educadora da Bahia o ‘Projeto Minerva’.

Seus programas, sempre com altos índices de audiência, eram verdadeiros shows de conhecimentos gerais e de informações de utilidade pública, além de extremamente educativos. O tom coloquial, o estilo descontraído, a linguagem simples, a capacidade de se comunicar e o magnetismo que imprimia nas apresentações, polarizavam as atenções dos radiouvintes.

Desenvolto, carismático, portador de memória prodigiosa e de uma fantástica didática, o professor Cid Teixeira tornou-se um viciado em lotar salões de atentos espectadores, quer em aulas ou em palestras. Pela cultura generalizada, pelos conhecimentos das histórias da Bahia e do Brasil e pelo poder da oratória, transformou-se num conferencista dos mais requisitados.

É uma das raras pessoas que não necessita preparar com antecedência ou escrever o que vai abordar nas palestras. Sua cabeça é um verdadeiro computador. Basta acionar um botão para que todo e qualquer assunto de sua especialidade brote instantaneamente. “Ele é simplesmente assombroso”, afirmou numa entrevista uma das mais respeitadas historiadoras da Bahia, Consuelo Novais Sampaio.

Na verdade, o professor Cid Teixeira constitui-se na principal sumidade em história da Bahia e, em particular, na de Salvador. Tem os seguintes livros editados: Bahia em Tempos de Província; História da Mineração na Bahia; O Coronelismo na Bahia; História da Armação; Salvador, Posse e Uso da Terra. Possui ainda centenas de artigos publicados em revistas e jornais.

O cineasta Roberto Gaguinho acaba de concluir o documentário ‘Cid Teixeira, a Encliclopédia da Bahia’. Apoiada pela Fundação Cultural do Estado da Bahia, Prefeitura e Câmara de Salvador, a produção registra um pouco da vida desse homem de imenso e notável saber. Realmente, trata-se de uma grande enciclopédia da história baiana, um sábio que faz jus ao título de ‘Senhor História’.

O advogado, jornalista, radialista, professor, pesquisador, historiador, escritor, conferencista e consultor, foi presidente da Fundação Gregório de Mattos, órgão integrante da estrutura da Prefeitura Municipal de Salvador.

Rotariano atuante, inclusive como palestrante em dezenas de clubes, presidiu o Rotary Club Salvador-Itapagipe e foi governador do Distrito 4550. Dentre as inúmeras instituições às quais pertence, Cid Teixeira é membro da Academia de Letras da Bahia, onde ocupa a Cadeira número 19.

Texto publicado nas páginas 165/166 da
‘Cartilha Histórica da Bahia’,
6ª Edição - 2002.