João Gilberto

Ubaldo Marques Porto Filho

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira nasceu em Juazeiro, a 10 de junho de 1931. Aos 18 anos desembarcou em Salvador para tentar carreira como cantor de rádio e crooner nos conjuntos musicais. Após alguns anos na capital baiana, onde chamou a atenção, não pelos dotes de intérprete, mas pela forma de tocar o violão, o juazeirense foi aconselhado a tentar a sorte no Rio de Janeiro, a meca da música popular brasileira.

Na capital federal, o baiano conheceu Tom Jobim e Vinícius de Moraes, autores de ‘Chega de Saudade’, que João Gilberto incluiu no seu primeiro disco, um compacto gravado em julho de 1958, tendo do outro lado ‘Bim Bom’, de Tom Jobim. Foi um estouro, uma revolução musical, inaugurando o movimento denominado Bossa Nova, onde o cantor e instrumentista impôs o seu estilo peculiar de dedilhar o violão, com toques diferenciados dos demais violonistas.

Nesse mesmo ano, ele acompanhou Elizeth Cardoso em duas faixas no LP ‘Canção do Amor Demais’, nas músicas ‘Chega de Saudade’ e ‘Outra Vez’, também marcos na história da Bossa Nova. Ainda em 1958, no mês de novembro, a Odeon preparou o segundo compacto de João Gilberto, com ‘Desafinado’, de Tom Jobim e Newton Mendonça, e ‘Oba-Lá-Lá’, do próprio João Gilberto. Além da maneira ímpar de tocar violão, o baiano cantava de forma até então desconhecida. Ao contrário dos ídolos da época, famosos pelo vozeirão, ele cantava baixinho, num ritmo cadenciado que se transformou numa referência da Bossa Nova.

Com a voz e o violão de João, ficaram famosas as interpretações de ‘Aos Pés da Cruz’ (Zé da Zilda e Marino Pinto), ‘Samba de Uma Nota Só’ (Tom Jobim e Newton Mendonça) e ‘O Barquinho’ (Menescal e Bôscoli). Dentro do estilo único de cantar, ele deu nova roupagem aos clássicos ‘O Samba da Minha Terra’ e ‘Saudade da Bahia’, ambos de Dorival Caymmi, bem como à ‘Falsa Baiana’, de Geraldo Pereira, e ‘Na Baixa do Sapateiro’, de Ary Barroso.

João Gilberto estava no Carnegie Hall, em Nova Iorque, em 1962, no histórico show de artistas brasileiros, que abriu as portas dos Estados Unidos para a Bossa Nova. E por lá ficou residindo e trabalhando no novo som que o Brasil exportava. Em 1964, gravou nos Estados Unidos, com o saxofonista Stan Getz, Tom Jobim e sua mulher, Astrud Gilberto, um disco que vendeu mais de um milhão de cópias, tendo como carro chefe a faixa ‘Garota de Ipanema’.

Figura emblemática na história da música popular brasileira, que conquistou fama mundial, João Gilberto foi taxado de louco. Ficaram notórias suas manias estranhas, a aversão às entrevistas, o não comparecimento a alguns shows e a obsessão pela perfeição técnica, tanto nas gravações como nas apresentações públicas. Coisas dos gênios.

Texto publicado na página  255 do livro
‘Bahia, Terra da Felicidade’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
editado em 2006.