João Ubaldo Ribeiro

Ubaldo Marques Porto Filho

Nascido em 23 de janeiro de 1941, uma quinta-feira, na cidade de Itaparica, João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro formou-se em direito pela Universidade Federal da Bahia, onde também obteve a pós-graduação em administração pública. Nos Estados Unidos fez mestrado em administração pública e ciência política, na Universidade da Califórnia do Sul.

Professor universitário, lecionou ciência política na Faculdade de Filosofia da Ufba e na Escola de Administração da Ufba. Paralelamente às atividades acadêmicas, dedicou-se ao jornalismo, destacando-se como redator, colunista, editorialista, chefe de reportagem e editor-chefe da Tribuna da Bahia.  Inicialmente trabalhou como repórter no Jornal da Bahia. Também foi tradutor e empresário no segmento publicitário.

Carreira literária

Em que pese ser muito bem sucedido como professor e jornalista, João Ubaldo renunciou ao magistério e ao trabalho diário na redação de um jornal. Direcionou sua força laboriosa para o setor literário, tendo construído uma vitoriosa carreira como romancista, contista, cronista, ensaísta e na literatura infanto-juvenil. Possui dezenas de livros publicados, vários deles traduzidos para o inglês, espanhol, italiano, francês, alemão, holandês, sueco, norueguês, dinamarquês, finlandês, esloveno e hebraico.

O primeiro livro foi um romance, Setembro Não Faz Sentido, publicado em 1963, aos 22 anos, com prefácio do amigo Glauber Rocha. O primeiro sucesso foi com Sargento Getúlio, lançado em 1971, que lhe garantiu o Prêmio Jabuti de 1972, na categoria Revelação de Autor, concedido pela Câmara Brasileira do Livro.

Segundo a crítica especializada, seus melhores romances, além de Sargento Getúlio, são Viva o Povo Brasileiro (1984) e O Sorriso do Lagarto (1989), que se tornaram referências na literatura brasileira.  Pelo best seller Viva o Povo Brasileiro recebeu o Prêmio Jabuti, na categoria Romance, e o Golfinho de Ouro, outorgado pelo Governo do Rio de Janeiro. O sucesso do livro também  inspirou a Escola de Samba Império da Tijuca, que desfilou no carnaval carioca de 1987 com o enredo Viva o Povo Brasileiro.

O escritor é detentor de várias outras premiações, no país e no exterior, dentre elas o Prêmio Anna Seghers 1994 (Alemanha) e o Prêmio Camões de Literatura 2008, a maior láurea atribuída por um júri internacional a autores de língua portuguesa.

Foi dele o primeiro livro virtual lançado no Brasil. A primazia coube ao romance Miséria e Grandeza do Amor de Benedita, publicado em 2000. Várias de suas obras foram transformadas em filmes e minisséries para televisão, tendo ele próprio trabalhado como roteirista em algumas das adaptações.

O escritor baiano é membro da Academia Brasileira de Letras desde 8 de junho de 1994, quando tomou posse na Cadeira 34.  Pela densidade e o alto nível da sua produção literária, tem sido lembrado para o Nobel de Literatura, premiação ainda não concedida a um brasileiro.

João Ubaldo Ribeiro, que já morou nos Estados Unidos, Portugal e Alemanha, reside atualmente no Rio de Janeiro, onde escreve artigos com regularidade para jornais brasileiros, portugueses, alemães e ingleses.

Parte da adolescência no Rio Vermelho

Na primeira metade da década de 1950, João Ubaldo morou  no Parque Cruz Aguiar, numa casa na esquina da Rua Ilhéus com a Canavieiras. Dentre os vários amigos dessa época encontra-se Nelson Taboada, que garante que no futebol, praticado no Campo do Osório, onde hoje se encontra a Praça Carlos Batalha, o João era um bom lateral direito.

Como no Rio Vermelho havia muitos jovens com o prenome João, cada um ganhava um sobrenome popular.  Por isso, o lateral direito era chamado de João Delegado, numa alusão ao cargo que seu pai, doutor Manoel Ribeiro, ocupava no Governo Estado. Era Secretário da Segurança Pública, que o povo chamava de Chefe da Polícia. Como consequência, o filho tinha de ser o ‘Delegado’.

Na cidade natal a comemoração dos 70 anos

 Todo ano, João Ubaldo passa férias em Itaparica. Fica na casa que foi do seu avô materno, o historiador Ubaldo Osório Pimentel, autor do livro ‘A Ilha de Itaparica’, publicado em 1942.  E na cidade onde nasceu comemorou o 70º aniversário, cercado pelo carinho dos familiares, dos amigos de infância e do povo itaparicano.

Em homenagem ao ilustre e imortal filho da cidade, a Biblioteca Juracy Magalhães Júnior preparou uma bonita festa no dia 23 de janeiro, um domingo. O aniversariante compareceu acompanhado da esposa Berenice e dos quatro filhos, Emília, Manuela, Bento e Francisca.

Texto publicado na página 9 da
 ‘Folha do Rio Vermelho’,
Nº 21 - Maio 2011.