Marez

Ubaldo Marques Porto Filho

Maria Tereza Sá Schultz nasceu em Salvador, no dia 23 de setembro de 1942. Com tenra idade foi para o Rio Vermelho, onde passou a infância, a adolescência e parte da fase adulta, sempre morando na Rua Odilon Santos. Todos a conheciam por Marez, uma loura bonita e de temperamento tímido.

Desde cedo demonstrou vocação para a música e durante seis anos estudou piano com a renomada professora Walkyria Knittel. Todavia, não foi como pianista que alcançaria destaque e sim como cantora. Embora nunca tivesse participado de programas de calouros ou de concursos, a notícia sobre os seus dotes como intérprete chegou ao conhecimento do setor artístico da TV Itapoan.

E ela foi convidada para integrar a equipe comandada pelo maestro Carlos Lacerda. A década de 1960 estava no início, época em que a única emissora de televisão na Bahia dava ênfase aos programas locais, especialmente aos musicais. Como o recurso do vídeo-tape ainda não havia chegado à Bahia, tudo tinha de ser feito na hora, ao vivo, inclusive os comerciais.

Dona de voz excelente, Tereza (não adotou o Marez), além dos programas no Canal 5, passou também a se apresentar com assiduidade em shows e até em alguns festivais de música popular. Era o tempo róseo do nascimento de uma fornida coleção de talentos: Gilberto Gil, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gal Costa (a Gracinha de então), Inema Trio, Os Tincoãs, José Emmanoel, Carlos Gazineo, Nicola Augello, Luís Berimbau, Fernando Lona, Tuzé de Abreu, Tom Zé, Novos Baianos, Tião Motorista, Edil Pacheco, Ederaldo Gentil, Valmir Lima, Maria Creuza, Antônio Carlos, Jocafi, etc.

Como muitos, Tereza participou de apresentações em casas noturnas, no Teatro Castro Alves e nos célebres ‘improvisos’ das noites de sexta-feira no Teatro Vila Velha, palco do batismo de muitos artistas.. Desta safra de valores, os que arrumaram as malas e emigraram para o eixo Rio-São Paulo conseguiram triunfar no difícil mundo musical.

Apesar dos insistentes incentivos recebidos para também tentar a sorte no Sul, Tereza não quis deixar Salvador. Não que lhe faltasse a vontade, mas por motivos profissionais. “era bancária e tive receio de trocar o emprego certo no Banco Mercantil de Minas Gerais por uma aventura artística ou por uma profissão de futuro incerto”, assim ela explicou a razão pela qual ficou em Salvador. E como todos os jovens que na época não se habilitaram ao vestibular no Sul, Tereza perdeu a chance de chegar ao estrelato nacional.

Texto extraído das páginas 198/199 do livro
‘Rio Vermelho’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 1991.