Martha Rocha

Ubaldo Marques Porto Filho

Maria Martha Hacker Rocha nasceu em Salvador, no dia 19 de setembro de 1936. Loura de cabelos dourados e olhos azuis, desde pequena já encantava pela beleza. Na adolescência reinou na praia do Farol da Barra, localizada perto da sua casa. Tinha 17 anos quando Guilherme Simões, sobrinho do fundador de A Tarde, a incentivou para participar do concurso que escolheria a Miss Bahia 1954, certame promovido pelo jornal de Ernesto Simões Filho.

Subindo o primeiro degrau da escada da fama, Martha ganhou o concurso na noite de 15 de maio de 1954. No mês seguinte, viajou para o Rio de Janeiro, para disputar o Miss Brasil no Hotel Quitandinha, em Petrópolis, no dia 18 de junho. Novo êxito espetacular, sendo eleita, por unanimidade, para representar o Brasil no Miss Universo, que se realizaria no dia 23 de julho de 1954, em Long Beach, na Califórnia, Estados Unidos.

Nas prévias, ou melhor, nas pesquisas de opinião pública, os americanos apontaram a Miss Brazil como a preferida para ser a Miss Universo. Mas Martha ficou em segundo lugar. Perdeu o título para a candidata da casa, a americana Myrian Stevenson. Ante a reação da própria platéia americana, os jurados disseram que a representante brasileira tinha perdido por causa de “duas polegadas a mais nos quadris”.

Mesmo sem o cetro de Miss Universo, Martha Rocha ganhou uma recepção consagradora ao desembarcar no Rio de Janeiro. Virou celebridade nacional, foi convertida em padrão da beleza feminina, mesmo com duas polegadas a mais. A baiana não precisou ser Miss Universo para conquistar, em definitivo, os corações dos brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste.

Chegou inclusive a gravar dois discos em 78 rpm, na Continental. O primeiro foi com Emilinha Borba, uma das cantoras mais populares do país, com quem cantou o samba ‘Abraço Fraternal’, de Pedro Caetano, Carlos Renato e Alcino Guedes.

No segundo, lançado em junho de 1955, em participação solo, gravou duas músicas: no lado A o baião ‘Rio, Meu Querido’, de Pedro Caetano e Carlos Renato, e no B o grande sucesso, a marchinha ‘Duas Polegadas’, do compositor carioca Pedro Caetano, em parceria com Carlos Renato e Alcyr Pires Vermelho, que estourou no carnaval de 1956.

Mesmo quando a gaúcha Iêda Vargas e a baiana Marta Vasconcelos ganharam o Miss Universo, respectivamente em 1963 e 1968, o prestígio de Martha Rocha permaneceu inabalável. Ela continuou sendo a eterna Miss Brasil, símbolo máximo de uma beleza imortal, marca do charme e do carisma baianos. Tornou-se um mito.

Fontes:
 Livros ‘Bahia, Terra da Felicidade’ e
‘História da Associação Atlética da Bahia’,
ambos escritos por Ubaldo Marques Porto Filho.