Padre Ângelo Magno Carmo Lopes

Ubaldo Marques Porto Filho

No calendário religioso, o 9 de novembro é dedicado à Consagração da Basílica de Latrão, o templo mais antigo do mundo católico, construído na colina de Latrão, pelo imperador Constantino, na época do papa Melquíades (311-314). Em 1952, exatamente no dia em que a Igreja celebrava a festa da igreja mãe de todas as igrejas de Roma e do mundo, nascia Ângelo Magno Carmo Lopes, filho do casal José Lopes Filho e Maria da Glória Carmo Lopes.

Nascido em Salvador, no bairro de Roma, o jovem Ângelo destacou-se nos estudos e também como jogador de futebol nos campos de várzea da Cidade Baixa. Ponta-direita habilidoso, Anjinho, como era chamado, poderia ter ingressado nas divisões de base do futebol profissional.

Porém, movido por fortes convicções religiosas, resolveu se consagrar a Deus, tendo desenvolvido vários trabalhos nas freguesias de Nossa Senhora do Pilar e de Santa Rita. Foi dirigente espiritual na Capela de São Joaquim, onde cuidou dos órfãos.

Fez os estudos teológicos em Salvador, no Seminário Central da Bahia. Em 8 de dezembro de 1985, dia da festa da Imaculada Conceição da Virgem Maria, Padroeira da Bahia, recebeu a ordenação sacerdotal das mãos de dom Boaventura Kloppenburg, bispo auxiliar da Arquidiocese. Cinco dias depois, por provisão assinada pelo cardeal arcebispo de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil, dom Avelar Brandão Vilela, foi nomeado vigário paroquial da Paróquia de Sant’Ana do Rio Vermelho. Assumiu também a função de capelão do Hospital Jorge Valente.

Criado numa casa bem defronte ao mar, na praia do Cantagalo, passou a exercer o múnus de pastor numa igreja erigida na borda da praia. Sua ascensão na Paróquia do Rio Vermelho deu-se de forma meteórica. Comunicativo, granjeou logo a simpatia e a confiança de todos, transformando-se num líder espiritual muito querido, condição que lhe propiciou chegar à titularidade dessa paróquia no exato dia em que completou seis anos de ordenado, em 8 de dezembro de 1991.

Tornou-se pároco do Rio Vermelho através de provisão assinada por dom Lucas Moreira Neves, cardeal arcebispo da Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

Como pároco, o Padre Ângelo realizou importantes obras de recuperação da Igreja Matriz, pois a ação implacável do salitre havia corroído e comprometido a segurança do templo inaugurado em 26 de julho de 1967. Como se isso não fosse suficiente, partiu para transformar em realidade um antigo sonho dos paroquianos: a construção do Salão Paroquial, um centro comunitário que abriu à Paróquia um leque de opções visando a implementação de uma série de trabalhos de grande alcance social, voltados em sua maioria às camadas mais carentes.

Além de comandar a Paróquia do Rio Vermelho, por provisão de 20 de abril de 2001, o Padre Ângelo foi nomeado assistente eclesiástico da Federação Arquidiocesana das Congregações Marianas.

No dia que completou 25 anos da ordenação e 19 no comando da Paróquia do Rio Vermelho, o líder religioso foi alvo de grandes homenagens tributadas pela comunidade católica. As duas efemérides foram comemoradas com Missa Solene na Igreja Matriz de Senhora Sant’Ana, celebrada pelo padre Bento Viana, em cerimônia presidida por dom Josafá Menezes da Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Em seguida, no Instituto Medalha Milagrosa, a comunidade paroquiana, dentre eles vários dirigentes das entidades filiadas à Central das Entidades do Rio Vermelho, ofereceu-lhe um almoço de confraternização.

Na comunidade riovermelhense, o Padre Ângelo participa de diversas agremiações e foi o primeiro presidente da Central das Entidades do Rio Vermelho, organismo que passou a congregar as mais representativas associações do bairro, tornando-se a sua representação máxima. Exerceu o mandato por quatro anos, de 8 de maio de 2004, data da fundação, até 8 de maio de 2008.

É autor de diversos artigos publicados no Jornal do Rio Vermelho e um dos autores do livro ‘Cinco de Outubro, Dia de Caramuru’, que perpetua as festividades pelo Dia Municipal de Caramuru, instituído pela Lei 7.774, de 15 de dezembro de 2009. As homenagens tributadas no dia 5 de outubro, nos anos de 2010 e 2011, estão registradas nesse livro, que foi lançado em Sessão Especial da Câmara Municipal de Salvador, no dia 16 de julho de 2012.

Na administração do novo arcebispo de São Salvador da Bahia, dom Murilo Krieger, empossado em 25 de março de 2011, o Padre Ângelo passou a acumular os seguintes cargos:

O 22º pároco de Sant’Ana do Rio Vermelho é recordista de permanência na Paróquia. Completou 21 anos ininterruptos no seu comando no dia 8 de dezembro de 2012.

Texto reproduzido das páginas 120/122 do livro
‘100 Anos da Paróquia do Rio Vermelho’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 2013.