Sônia Morelli

 Ubaldo Marques Porto Filho

Sônia Morelli Rodrigues é baiana de Salvador, tendo nascido no bairro de Roma, em 11 de agosto de 1949. Iniciou o curso primário na escolinha de uma tia, professora Janice Morelli, para concluí-lo na Escola Francisca Rodrigues. O ginasial cursou no Colégio de Aplicação da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) e o clássico no Colégio Estadual da Bahia (Central). Em 1971, ingressou na Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Como estudante universitária estagiou na Biblioteca da Secretaria da Indústria e Comércio do Estado da Bahia e na Divisão de Tributação do Ministério da Fazenda na Bahia. Também trabalhou no Projeto Rondon, organizado pelo Governo Federal para estudantes do curso superior, com o objetivo de engajá-los durante as férias em trabalhos voluntários de pesquisa, assistência médica/odontológica e atividades sociais em comunidades carentes.

Na vida profissional, assim que se formou, em agosto de 1974, começou como bibliotecária na Escola de Administração da Ucsal. Nessa universidade permaneceu até 1983 e foi coordenadora da Biblioteca do Campus da Federação.

Sônia Morelli implantou a Biblioteca de Mestrado em Saúde Comunitária da Ufba, num trabalho desenvolvido em convênio com o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (Proped) e a Fundação Rockefeller. No Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Ceped), fundação vinculada ao Governo do Estado da Bahia, auxiliou nos trabalhos da normatização dos termos técnicos para um dicionário de geotecnia. Na iniciativa privada, trabalhou durante oito anos na Biblioteca Jurídica Barachísio Lisboa. No magistério, lecionou aulas em cursos para concursos e por um breve período atuou como professora substituta na Escola de Biblioteconomia da Ufba.

Em 1º de abril de 1997, foi admitida como bibliotecária da Biblioteca Thales de Azevedo, integrante da estrutura da Fundação Cultural do Estado da Bahia. Posteriormente, assumiu a subgerência do Setor de Periódicos da Biblioteca Pública do Estado da Bahia. Em setembro de 2001 tomou posse como diretora da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior.

Na Biblioteca do Rio Vermelho, como o povo denomina a Juracy Magalhães Júnior, Sônia tem realizado um trabalho dos mais profícuos, muito marcantes nos 43 anos de sua existência. Dentre as ações mais relevantes na gestão da atual diretora, encontram-se as seguintes:

  1. Inauguração do novo prédio, em 16 de junho de 2004, proporcionando uma maior interação com a comunidade, não apenas como local para consultas de livros e periódicos, mas também como núcleo de difusão cultural e artística. Inúmeras palestras, reuniões, exposições, oficinas, recitais, lançamentos literários, programações teatrais, eventos recreativos e educacionais, passaram a ter como palco o espaço polivalente da nova biblioteca. Com um acervo diversificado, formado por 25 mil obras, e com média de 2.500 usuários mês, a Biblioteca presta serviços em cinco departamentos: estudos e pesquisas; circulante; infantil; periódicos; e memória do bairro.
  2. Instituição do Encontro com o Escritor, projeto idealizado pela Fundação Pedro Calmon, com o foco primordialmente dirigido à classe estudantil. Diversos escritores, com raízes no bairro, e também de outras origens, passaram a ser convidados para fazer palestras em dias de verdadeira festa literária.
  3. Instalação do Infocentro, atual Centro Digital da Cidadania, para inclusão digital, equipado com dez terminais. Oferece acesso gratuito à internet a quem preencher a ficha de filiação, com direito a 35 minutos diários.
  4. Criação do Espaço Caramuru, inaugurado no dia 25 de novembro de 2009, para ser um setor especializado na história de Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, bem como na historiografia do bairro do Rio Vermelho.
  5. Celebrações, a partir de 2010, do Dia Municipal de Caramuru, que coincide com o Dia do Rio Vermelho, em 5 de outubro.

Sônia Morelli Rodrigues já participou de inúmeros congressos de biblioteconomia e já apresentou diversos trabalhos técnicos. Casada com o português Antônio Amorim Gomes, passa férias em Viana do Castelo, onde o casal possui casa. Por conta dessas viagens anuais, mantém relações com a biblioteca municipal dessa cidade e também com a de Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal, localizada a 34 km de Viana do Castelo, a terra do Caramuru Português.

Texto publicado nas páginas 131/132do livro
‘Cinco de Outubro, Dia de Caramuru’,
editado em 2012.