Valdir Gomes Barbosa

Ubaldo Marques Porto Filho

Baiano de Salvador, Valdir Gomes Barbosa nasceu em 25 de maio de 1952. Aos dois anos, começou a decorar e repetir, na íntegra, os poemas que sua mãe costumava ler em voz alta. A fama de menino prodígio chegou ao conhecimento do radialista Ruy Brandão, que comandava um programa radiofônico de grande audiência. Foi o suficiente para o Valdir virar uma grande atração, como declamador de poesias, nas tardes dos sábados, no auditório da Rádio Excelsior da Bahia.

Um dia, de passagem por Salvador, o jornalista Herbert Moses, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) assistiu uma performance do pequeno gênio. Impressionado com o que viu, Moses incentivou a ida do menino ao Rio de Janeiro, juntamente com seus pais, Adauto Gomes Barbosa e Walneide Pereira Barbosa, que inclusive transferiram a residência para a capital federal.

No Rio, Valdir apresentou-se no Palácio do Catete, onde recitou poesias de OIavo Bilac para o presidente Juscelino Kubistchek. Também esteve no Paço Municipal, para mostrar sua genialidade artística ao prefeito do Distrito Federal, Francisco Negrão de Lima. Ainda na capital federal, passou a se exibir semanalmente na TV Tupi e na TV Excelsior.

Com o retorno da família a Salvador, pois seu pai não se adaptou à vida no Rio de Janeiro, Valdir foi estudar no Colégio Antônio Vieira, de onde somente saiu para cursar a Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia. Diplomado em 1975, exerceu a profissão de advogado por pouco tempo, pois o destino lhe reservou o papel de policial implacável na defesa da sociedade, como verdadeiro ‘caçador de bandidos’. Sua trajetória, como paladino da lei, começou em 1976, ao assumir a delegacia da cidade baiana de Itapetinga.

Pela Secretaria da Segurança Pública da Bahia, Valdir Gomes Barbosa fez diversos cursos, no Brasil e no exterior. Ocupou relevantes cargos, dentre eles o de delegado chefe da Polícia Civil do Estado, mas não foi em funções burocráticas de gabinete que se notabilizaria e sim como delegado de operações especiais, na linha de frente. Comandou dezenas de investigações de campo, capturou fugitivos da Justiça e solucionou casos importantes. E nas perseguições sem tréguas aos criminosos, empreendeu ações que se estenderam por quase todos os estados brasileiros e também a outros países.

O delegado da elite da polícia baiana comandou diligências que ficaram famosas. As de maior destaque na imprensa foram as seguintes: recuperação das joias roubadas no apartamento do senador Antônio Carlos Magalhães, por uma quadrilha comandada por Rui Clementino da Silva, refinado e inteligentíssimo ladrão carioca; captura, em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, do empresário Otto Willy Jordan, fugitivo do sistema prisional da Bahia; captura, em Miami, nos Estados Unidos, do empresário Domingos Rosólia Neto, líder de um golpe milionário contra o Banco do Brasil; libertação da estudante Fernanda Viana, sequestrada em Salvador por Leonardo Pareja, um jovem bandido goiano de fugas sensacionais, que manteve a adolescente como refém no Hotel Samburá, em Feira de Santana. Este foi o caso que teve a maior repercussão na mídia nacional.

Valdir Gomes Barbosa também é escritor. Escreveu um livro de memórias - Saques e Tiros na Noite - onde relata minuciosamente sua vida profissional e a participação nas principais missões especiais, inclusive nas acima mencionadas.

Na apresentação da obra, o presidente da Casa de Cultura Carolina Taboada, empresário e escritor Nelson Almeida Taboada, fez o seguinte registro:

Acostumei-me, ao longo de décadas, a assistir películas americanas em que os policiais eram representados por agentes incorruptíveis, dedicados de corpo e alma a defender a sociedade, a solucionar crimes e a prender bandidos perigosos. Enfim, os policiais representavam verdadeiros heróis, dedicados ao combate à criminalidade.

A vida profissional de Valdir fez-me lembrar um desses heróis dos filmes de Hollywood. O seu devotamento, a competência e o êxito nas missões garantem-me essa afirmativa.

E digo mais, se ele fosse um delegado americano e esse livro ambientado e editado nos Estados Unidos, a obra seria, com certeza, um best-seller que a indústria cinematográfica transformaria num filme de sucesso.

Salvador, julho de 2013.