Adolpho Moreira

Ubaldo Marques Porto Filho

Em 7 de fevereiro de 1916, o comerciante Adolpho Pinto da Silva Moreira -filho do capitalista português José Pinto da Silva Moreira, um dos fundadores da Companhia de Seguros Aliança da Bahia -, adquiriu a Fazenda Alagoa. A propriedade ficava num setor privilegiadíssimo da faixa litorânea, abrangendo todo o histórico Morro do Conselho e parte do Morro do Menino Jesus.

Homem rico e empreendedor, Adolpho Moreira comprou as terras pensando num grande empreendimento imobiliário, inédito na Bahia, que transformaria a fazenda numa autêntica pequena cidade. Chegou inclusive a contratar um engenheiro para preparar o projeto, que dividia a propriedade em ruas e lotes. Porém, muito avançado para a época, o projeto não saiu da planta arquitetônica. O que surgiu mesmo foi a exploração comercial de uma pedreira, localizada na Fonte do Boi, que se transformou numa grande fornecedora de pedras para importantes construções na cidade.

Na Ladeira do Monte Conselho, Adolpho Moreira construiu um luxuoso palacete dotado de um mirante avarandado, com esplêndida vista para o mar de Caramuru, o Largo da Mariquita e a Praça Colombo. Aí residiu até 1937, quando doou o imóvel, com todos os pertences, e uma boa área verde, ao Asylo Bom Pastor.

Homem reservado, mas dotado de largos gestos de benemerência, ele já havia praticado uma outra doação importante: um vasto terreno no Morro do Menino Jesus, onde o professor Alfredo Magalhães construiu o Hospital das Crianças.

Adolpho Moreira foi, sem dúvida alguma, o promotor das mais relevantes doações ocorridas na história do Rio Vermelho. Nascido na capital baiana, em 25 de setembro de 1868, residiu nos últimos anos de vida no Rio de Janeiro, mas faleceu em Salvador, aos 72 anos, no dia 14 de abril de 1941. Da união com Maria Augusta de Souza teve onze filhos: Aroldo, Aída, Athália, Alice, Archibaldo, Alexandre, Annita, Augusta, Avany, Adrião e Alzira.

Texto extraído das páginas 26/27 do livro
‘Rio Vermelho, de Caramuru a Jorge Amado’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 2009.