Altamirando Requião

Ubaldo Marques Porto Filho

Altamirando Alves Requião, nascido em Salvador, a 27 de agosto de 1893, foi jornalista, escritor, poeta e professor, que durante muitos anos residiu no Rio Vermelho. Foi dono do jornal Diário de Notícias, de 1917 a 1945, quando o vendeu à rede dos Diários e Emissoras Associados, pertencente a Assis Chateaubriand.

Na época de diretor do DN, Altamirando Requião foi excomungado pelo arcebispo da Bahia, dom Augusto Álvaro da Silva, por ter divulgado amplamente a agressão física sofrida pela madre regente do Convento e Educandário dos Perdões, na manhã de 7 de abril de 1936, uma terça-feira da Semana Santa. Depois de ter espancado a irmã Maria José de Senna, no interior do próprio Convento, na presença de dezenas de estudantes, dom Augusto agrediu a aluna Maria Amélia Conde Cardoso, por ter ido em defesa da madre superiora.

Na saída dos Perdões, o povo, já aglomerado na porta, tentou linchar o mais alto dignitário da Igreja Católica na Bahia. A Polícia teve dificuldades para conter a fúria dos indignados, pois a irmã Maria José era muito querida. O ‘Escândalo dos Perdões’ se transformou num tema polêmico e levou o agressor a ser indiciado em inquérito policial e levado a julgamento, sendo condenado pelo Tribunal de Justiça da Bahia, num fato inédito no país. O arcebispo primaz do Brasil somente foi absolvido no terceiro julgamento, em última instância, graças ao poder das pressões religiosas e políticas.

Dom Augusto já havia sofrido severas críticas do DN por ter ‘vendido’ a histórica Igreja da Sé, para que fosse demolida em 1933, a fim de permitir a passagem dos bondes da Companhia Linha Circular de Carris da Bahia, gerando uma celeuma pública. Requião, um homem firme e corajoso, nunca aceitou uma reconciliação com o clero, mesmo depois do falecimento do cardeal, ocorrido em 1968, aos 92 anos.

Altamirando foi deputado federal em duas legislaturas (1935/1937 e 1946/1951) e chefe da Casa Civil na interventoria do general Onofre Pinto Aleixo (1942/1945. Em 1956, tornou-se conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, que presidiu de abril até agosto de 1963, quando se aposentou.

Era membro da Academia de Letras da Bahia e autor de 15 livros. Morreu no dia 23 de outubro de 1989, aos 96 anos.

Fontes:
1. Livro ‘Rio Vermelho,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 1991.
2. Livro Caminhos de Contas, a História do Tribunal de Contas do Estado da Bahia,
de Dilton Oliveira de Araújo e Geraldo Ramos Soares.
3. Breviário da Academia de Letras da Bahia,
de Renato Berbert de Castro.