Álvaro Gomes de Castro

Ubaldo Marques Porto Filho

Álvaro Gomes de Castro nasceu em Salvador, no bairro do Rio Vermelho, em 21 de setembro de 1906. Era filho do comerciante português Manoel Lopes de Azevedo Castro e de Maria Blandina Gomes de Castro, filha de João Gomes da Costa Júnior, proprietário da Fazenda Oitum, no Rio Vermelho, também conhecida como ‘Roça de João Gomes’. A propriedade foi herdada por Maria Blandina e, por isso, passou também a ser chamada de ‘Roça de Manoel Lopes’, seu marido.

Álvaro Gomes de Castro iniciou os estudos no Colégio Antônio Vieira. Indo para o Rio de Janeiro, frequentou o Colégio Pedro II, onde concluiu o primário. O curso ginasial foi todo no Ginásio Anglo-Brasileiro, também na capital federal. Retornando a Salvador, prestou o serviço militar no Tiro de Guerra 284. Entre as anotações na sua caderneta do Exército, destacam-se duas: “Conducta: Boa - Caracter: Bom”.

Álvaro começou a vida profissional na empresa Almeida & Cia. (Casa Caboclo). Em seguida, trabalhou na João Altino Exportadora de Fumo. Na Cia. de Anilinas e Productos Chimicos do Brasil, de capital alemão, foi caixa e procurador. Permaneceu até 1942, quando as atividades da empresa foram encerradas por causa da Segunda Guerra Mundial. Foi então trabalhar na Aliança da Bahia Capitalização. Nesta época, era um dos proprietários e procurador do Loteamento Parque João Gomes, com lotes na Rua Conselheiro Pedro Luiz, no Rio Vermelho.

Em 1943, representando os herdeiros de seus pais, Maria Blandina e Manoel Lopes de Azevedo Castro, Álvaro assinou a escritura de venda da antiga Fazenda Oitum à Empresa Construtora e Imobiliária Ltda. - Ecil, que tinha como principais sócios o banqueiro mineiro Cylio Cruz e o empresário baiano Manoel Pinto de Aguiar. Da sociedade também participavam o bacharel em direito Orlando Pessoa Garcia e os engenheiros José de Lacerda e Quintino Steinbach. A Ecil transformou a propriedade no empreendimento denominado Parque Cruz Aguiar, o primeiro loteamento que surgiu em Salvador oferecendo infraestrutura completa, inclusive casas prontas. O primeiro habitante foi Alberto Peón, que chegou no dia 6 de abril de 1946, para morar no bangalô de nº 3 da Rua Jequié.

Com o término da Segunda Guerra Mundial e a reativação da antiga empresa dos alemães, com o nome de Cia. Anilinas Productos Chimicos e Material Thecnico, Álvaro retornou como gerente da filial na Bahia. Depois, tornou-se sócio da Sociedade Comercial Corbia estabelecida em Salvador, que atuava na importação de produtos químicos e anilinas.

Em 15 de julho de 1960, aos 53 anos, associado à esposa e filhos, constituiu a empresa Morais de Castro & Cia. Ltda., que tem como atual razão social o nome Morais de Castro Comércio e Importação de Produtos Químicos Ltda., com atuação na importação, distribuição e revenda de mais de 200 produtos nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste, com filiais no Rio de Janeiro e Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.

Álvaro participou do Sindicato dos Empregados no Comércio de Salvador, do Clube Comercial e da Associação Comercial da Bahia. Foi irmão da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Bahia e sócio da Sociedade de Cultura Artística da Bahia - Scab, presidida pela cantora lírica Alexandrina Ramalho.

Álvaro Gomes de Castro faleceu em Salvador, aos 74 anos, em 16 de dezembro de 1980. Do casamento com Maria Valentina Morais de Castro (Mariúche), professora de música nascida no Rio Vermelho, deixou cinco filhos: Roberto Morais de Castro, Sérgio Morais de Castro, Álvaro Morais de Castro, Maria José de Castro Harth e Eduardo Morais de Castro.

Por iniciativa do vereador Ney Campello, a Câmara Municipal de Salvador aprovou o Projeto de Lei nº 74/85, que resultou  na Lei 3.555, sancionada pelo prefeito Manoel Castro e publicada na página 44 no Diário Oficial do Estado de 2/3 de novembro de 1985, denominando de Rua Álvaro Gomes de Castro o logradouro onde se encontra a sede da empresa Morais de Castro, no Porto Seco Pirajá, com Código de Endereçamento Postal sob o número 41233-005.

Salvador, junho de 2013.