Anarolino Pereira

Desfalque na Torcida do Vitória

Ubaldo Marques Porto Filho

O Esporte Clube Vitória acaba de perder um de seus torcedores mais ferrenhos com o falecimento, aos 64 anos, de Anarolino Peixoto Pereira, sepultado no dia de finados, no Cemitério Jardim da Saudade, em Salvador. Nascido em Cachoeira, era filho de Anarolino Theodoro Pereira, comerciante conceituado e chefe político nesse município do Recôncavo durante muitos anos, tendo sido inclusive prefeito no período de 1951 a 1954.

Conheci Pereirinha, como era chamado o filho do ex-prefeito, em 1958, no Ginásio Estadual da Cachoeira, onde fui aluno da sua irmã Yvonne. Ele se destacava como jogador de basquete, como instrumentista na banda marcial e também como líder estudantil dinâmico, carismático e muito comunicativo.

Pela performance nas lides estudantis e pela popularidade, pensei que o Pereirinha fosse enveredar pelos caminhos da política partidária, o que seria perfeitamente normal, principalmente pela herança do pai e por ser sobrinho de Augusto Públio Pereira, que tinha sido deputado estadual, federal e grande cacique político do PSD no Vale do Paraguaçu.

Mas Pereirinha não quis fazer carreira política. Assim que concluiu o curso ginasial, foi trabalhar e residir definitivamente em Salvador. Se Cachoeira perdeu um possível vereador ou prefeito, o Esporte Clube Vitória ganhou nas arquibancadas da Fonte Nova um torcedor de todas as horas, que comparecia a todos os jogos, sempre trajado com as cores do rubro-negro.

Tornou-se um personagem símbolo entre os aficionados verdadeiros, daqueles que sofrem terrivelmente com as derrotas e vibram intensamente com as vitórias. E agora, no momento da ressurreição do Vitória, o destino não permitiu que Anarolino Peixoto Pereira pudesse ver o seu Vitória retornar à Série A, a divisão da elite do futebol brasileiro.

Publicado no Espaço do Leitor de A Tarde,
Salvador, 12 de novembro de 2007.