Antônio de Almeida Souza Filho

Ubaldo Marques Porto Filho

Segundo dos oito filhos (Alina, Antônio, Dulce, Julina, Perolina, Lúcia, Prudente e Regina) do casal Antônio de Almeida Souza e Maria Eulina Barreto de Almeida Souza, nascido no dia 16 de julho de 1912, em Santo Antônio de Jesus, Antônio de Almeida Souza Filho pertencia a um importante clã familiar, onde se destacaram na vida pública os seguintes membros: agrônomo Landulfo Alves de Almeida, interventor que governou a Bahia durante quatro anos e oito meses (1938-1942); educador Isaias Alves de Almeida, secretário de Educação do Estado e diretor-fundador da Faculdade de Filosofia da Bahia; economista Rômulo Barreto de Almeida, que ocupou relevantes cargos nos governos federal e estadual; e o monsenhor Fernando de Almeida Carneiro, que foi pároco de Cachoeira, a Cidade Monumento Nacional, localizada no Recôncavo baiano.

Formado em engenharia civil pela Escola Politécnica da Bahia, Antonito, como era chamado pelos familiares e amigos, trabalhou no Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia (Derba). Depois, fundou e comandou a Construtora Industrial Ltda. (Cila), que além de serviços de terraplenagem realizou diversas obras importantes pelo interior baiano, dentre elas o cais de Porto Seguro e um trecho da BR-5 (atual BR-101), onde, num local de mata virgem, ele construiu um acampamento para os trabalhadores da Cila, que deu origem ao chamado Povoado do Km 64. Por causa disso, passou a ser considerado como um de seus fundadores. Mais tarde, em homenagem ao secretário da Viação e Obras Públicas do Estado, engenheiro Eunápio Peltier de Queiroz, o vilarejo recebeu a designação de Eunápolis e em 1988 ganhou foro de cidade.

Em 1949, Antonito Almeida comprou no Rio Vermelho um terreno e construiu a casa de número 5 da Rua Ilhéus, para onde se mudou com a família em 1950. A rua fica localizada no Parque Cruz Aguiar, loteamento inaugurado em 6 de abril de 1946, sendo o primeiro a surgir em Salvador com infra-estrutura completa, que além de lotes oferecia casas prontas para morar.

Em 1961, Antonito desativou a construtora e passou a se dedicar à Fazenda Eldorado, herdada do pai, no município mineiro de Nanuque, com criação de gado e plantações de café e abacaxi. Alternava temporadas no norte de Minas Gerais e no Rio Vermelho, sua residência até o falecimento, aos 59 anos, em 29 de fevereiro de 1972, em conseqüência de um infarto, sendo sepultado no Cemitério do Campo Santo. Casado com Almerinda Falcão de Almeida Souza, deixou nove filhos: Ronald, Raquel, Renato, Roberto, Regina, Raimundo, Renan, Ricardo e Rosita.

Antonito gostava de reunir nos fins de semana, na ampla casa da Rua Ilhéus, os amigos mais próximos que moravam no Parque Cruz Aguiar, dentre eles, o dentista Evandro de Carvalho Guedes, o dentista e advogado Ariston Bertino de Moraes Carvalho e o publicitário José Teixeira de Almeida, para jogos de buraco e longas conversas sobre política e literatura. Também exercitou o dom da escrita, tendo deixado diversas crônicas narrando experiências de vida, principalmente na fase de empreiteiro de obras, em que relatou fatos que vivenciara ou testemunhara, como o desbravamento do Estremo Sul da Bahia e o nascimento de Eunápolis.

O Artigo 8º do Estatuto da Academia dos Imortais do Rio Vermelho (Acirv), fundada em 9 de agosto de 2003, nominou os paraninfos das 50 cadeiras, numa homenagem, in memoriam, às personalidades que residiram no bairro e que se destacaram em suas atividades. O engenheiro Antônio de Almeida Souza Filho foi escolhido para patronear a Cadeira Nº 6, que tem como titular o acadêmico Roberto Farias de Menezes.

Texto publicado na página 8 da revista
‘Boletim da Academia’
Nº 8 - Julho 2010.