Aurélio Souza

Ubaldo Marques Porto Filho

Aurélio Ângelo de Souza nasceu no Rio Vermelho, na casa de número 64 da Rua Conselheiro Pedro Luiz, em 11 de setembro de 1931. Diplomado em geografia, era poeta, ensaísta, escritor, jornalista, radialista, educador e historiador.

Em 1961, publicou ‘Nas Bandas do Rio Vermelho’, primeiro livro sobre a história desse bairro. Editou também os seguintes livretos de poesias: Horizonte do Mundo, Anjo Dourado, Origem do Mundo e as Gerações dos Deuses, Turbilhão, Imagens que Dançam no Oceano da Vida, Estrela Cadente, Calidoscópio, Bosque de Lendas, Borboletas Brancas dos Jardins dos Sonhos e Labaredas das Almas.

Como jornalista, Aurélio Souza colaborou com jornais de Salvador e do interior da Bahia. Foi o principal baluarte pelo surgimento do Pansofia, jornal editado sob a responsabilidade do Grêmio Santos Dumont, pertencente ao Instituto Senhora Santana, primeiro estabelecimento a oferecer o curso ginasial no Rio Vermelho. Depois, fundou e dirigiu o Rio Vermelho Jornal, que circulou de setembro de 1957 até o final de 1963.

Com a criação do Grêmio Juventude do Rio Vermelho, foi-me entregue a missão de editar um jornalzinho. As seis primeiras edições do Vip foram mimeografadas. Mas, graças às orientações dele pude lançar, em maio de 1965, a edição nº 7 impressa, ou seja, um jornal de verdade.

Professor de várias gerações de jovens do Rio Vermelho, lecionou no Instituto Medalha Milagrosa, no Instituto Senhora Santana e no Colégio Estadual Manoel Devoto. Não fui seu aluno quando estudei neste último estabelecimento, mas foi o meu mestre na arte de fazer jornalismo de bairro.

O Professor Aurélio foi fundador e presidente da Associação Atlética Rio Vermelho, entidade sócioesportiva e cultural, e liderou a campanha que resultou na construção, pelo Governo do Estado, da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, que se transformou numa referência cultural no Rio Vermelho.

Nesse bairro ele também plantou a base política que o levou ao legislativo municipal. Exerceu o mandato de vereador por dez anos consecutivos, em três legislaturas: 1967-1970, 1971-1972 e 1973-1976.

Como geógrafo, historiador e grande conhecedor do Rio Vermelho, atuou como consultor no trabalho da delimitação do bairro, em 1986. O Professor Aurélio faleceu aos 74 anos, em Salvador, no dia 1º de novembro de 2005. Era casado com a professora Margarida Maria de Oliveira Veiga de Souza. Não tiveram descendência.

Salvador, julho de 2010.