Ernesto Simões Filho

Ubaldo Marques Porto Filho

Ernesto Simões da Silva Freitas Filho nasceu em Cachoeira, na Bahia, no dia 4 de outubro de 1886. Desde cedo mostrou a vocação e a paixão pela imprensa. Aos 14 anos incompletos, estudando em Salvador, lançou um jornalzinho denominado ‘O Carrasco’. Quatro anos depois, fundou a revista ‘O Papão’. Paralelamente às atividades como jornalista, cursou a Faculdade Livre de Direito, diplomando-se em dezembro de 1907.

Ernesto Simões Filho não abraçou a carreira advocatícia. Antes mesmo da formatura já era um dos donos da ‘Gazeta do Povo’, em cuja redação projetar-se-ia como jornalista de grande valor e onde também teria as portas abertas para ingressar na política. O jornal encontrava-se atrelado ao seabrismo, como era chamado o grupo liderado por J. J. Seabra.

Em 1908, Simões Filho foi eleito deputado estadual, vindo a se notabilizar como tribuno de extraordinária oratória. Em janeiro de 1911, foi nomeado pelo ministro da Viação e Obras Públicas, J. J. Seabra, para o cargo de administrador dos Correios na Bahia, onde permaneceu até novembro de 1915.

Mesmo no comando dos Correios não abandonou a imprensa. O que deixou foi a Gazeta do Povo, pois queria ter um jornal sem a sombra do seabrismo, onde o chefe fosse exclusivamente ele, com total independência, para poder direcionar o veículo no rumo que julgasse mais adequado. Em 15 de outubro de 1912, fundou o jornal A Tarde, que se transformaria no mais influente órgão da imprensa baiana.

Eleito deputado federal em 1924, passou residir no Rio de Janeiro, a capital do país, donde passou a planejar e executar as ações que fortaleciam cada vez mais o seu prestigioso jornal. Reeleito, foi líder da maioria na Câmara Federal e ganhou notável projeção na política nacional. Por ter se colocado na oposição à ditadura Vargas, foi expulso do país após o fracasso da Revolução Constitucionalista de 1932. Cumpriu o exílio em Portugal e na França. Voltando ao Brasil, em 1934, continuou adversário político de Getúlio Vargas, até a sua deposição, em 1945.

Com a volta de Vargas à presidência, pela via democrática, eleito pelo povo em 1950, Simões Filho foi convidado pelo ex-ditador para ocupar um ministério destinado à Bahia, o da Educação e Saúde Pública. Foi ministro de 31 de janeiro de 1951 até 24 de junho de 1953, tendo sua gestão sido repleta de importantes realizações para o país.

Não esqueceu sequer da cidade natal. Garantiu recursos para um convênio que permitiu a construção e operacionalização de um modelar estabelecimento de ensino, o Ginásio Estadual da cachoeira, inaugurado em 19 de setembro de 1954, com a presença do ex-ministro.

Pouco tempo após ter coordenado pessoalmente uma ampla reorganização e modernização na apresentaçãoo gráfica do jornal A Tarde, o seu fundador faleceu no Rio de Janeiro, em 24 de novembro de 1957. Ernesto Simões Filho estava com 71 anos e o seu corpo, transladado para Salvador, foi sepultado no Cemitério do Campo Santo.

Através da Lei Estadual nº 1.538, de 9 de novembro de 1961, em terras desmembradas do território de Salvador, foi criado o Município de Simões Filho. A sede foi instalada na localidade de Àgua Comprida, à margem da BR-324, que passou a se chamar de Cidade de Simões Filho.

A trajetória do ilustre jornalista e político, foi dissecada pelo historiador Pedro Calmon, no livro ‘A Vida de Simões Filho’, editado pela Empresa Gráfica da Bahia no ano do centenário de nascimento do biografado. Os originais da obra haviam concorrido ao Prêmio Simões Filho, instituído pelo Governo do Estado e conduzido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. Utilizando o pseudônimo ‘Um Conterrâneo’, a Pedro Calmon coube o primeiro lugar, tendo recebido a láurea em solenidade realizada no dia 7 de março de 1983, na sede da Academia de Letras da Bahia, em cujos quadros Ernesto Simões Filho havia figurado, como fundador da Cadeira 31.

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Texto publicado nas páginas 191/193 da
‘Cartilha Histórica da Bahia’
6ª Edição - 2002