França Teixeira

Ubaldo Marques Porto Filho

Antônio França Teixeira nasceu em Salvador, a 4 de junho de 1944. Pela extroversão, agilidade no raciocínio e a voz que já o destacava, teve a primeira chance  logo aos 13 anos, na locução do Serviço de Alto Falante Dois de Julho. No ano seguinte, 1958, mudou-se para o Serviço de Alto Falantes Quatro Unidos, também no bairro da Liberdade.

Em seguida, deu um salto espetacular. Assinou contrato com a Rádio Excelsior da Bahia, uma das mais importantes emissoras baianas. E foi trabalhar justamente no setor que mais o fascinava, o futebol. No ano da estréia, como locutor esportivo, recebeu a láurea de ‘Maior Revelação Masculina de 1959’ no rádio profissional da Bahia.

O sucesso ecoou de tal forma que a jovem revelação recebeu o que todos os locutores do país sonhavam: o convite para um período de testes na famosa Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Os avaliadores ficaram impressionados com a desenvoltura no microfone e o timbre da voz do baiano. A contratação foi recomendada, mas, na hora da assinatura do vínculo, França Teixeira recuou e comunicou que regressaria a Salvador. As saudades da Bahia fizeram-no desistir de trabalhar na mais poderosa emissora brasileira.

Após uma breve passagem, em 1965, pela Rádio Cruzeiro da Bahia, retornou ao cast da Excelsior, onde ficou até 1968. Neste ano, já bastante conhecido do público, mas ainda atuando na sombra dos veteranos que chefiavam as equipes de esportes, o radialista transferiu-se para a Rádio Cultura da Bahia, como arrendatário dos horários esportivos.

Livre das algemas das programações formais e clássicas, que não admitiam inovações radicais, ele pode, finalmente, no comando de suas resenhas e transmissões dos jogos, colocar em prática uma formatação inédita, que não conseguiu viabilizar nos outros veículos. Com um estilo informal, irreverente, criativo e vibrante, falando de forma simples, do jeito que o povo entendia e queria ouvir, inclusive introduzindo expressões populares, França Teixeira explodiu. Como no riscar de um relâmpago, virou o fenômeno do rádio baiano.

Assediado por diversas emissoras do Sul, recusou propostas para sair de Salvador. O máximo a que se permitiu foi fazer parte dos jurados da Discoteca do Chacrinha. Durante três anos, aos sábados, viajou ao Rio de Janeiro, para participar do programa visto nacionalmente através da Rede Tupi de Televisão.

Bacharel em direito pela Universidade Federal da Bahia, França Teixeira manteve, entre 1970 e 1975, como articulista de futebol, uma coluna diária no jornal A Tarde. Ingressou também na vida empresarial, tendo sido fundador e sócio na Rede Clube de Rádio, integrada pela Rádio Clube de Salvador, Rádio Clube de Santo Antônio de Jesus e Rádio Clube Rio do Ouro, em Jacobina. Teve ainda uma rápida passagem pela presidência da Federação Baiana de Futebol.

Após revolucionar o rádio esportivo baiano, promoveu outro terremoto inovador, desta feita na televisão, tendo como palco a TV Itapoan. Foi com o programa ‘França Teixeira, Profissão Repórter’. O magnetismo pessoal, a presença desembaraçada, as abordagens diretas, os temas palpitantes, os assuntos ecléticos, as polêmicas, as entrevistas sensacionais e o domínio completo que o apresentador tinha em cena, fizeram o seu programa obter um sucesso estrondoso. Toda segunda-feira, a partir das 22 horas, às vezes invadindo a madrugada, batia recordes e mais recordes de audiência.

Depois de ter irradiado partidas da seleção brasileira de futebol em países da Europa, Ásia, África e Américas, e de ter trabalhado em quatro Copas do Mundo (México, Alemanha, Argentina e Espanha), França Teixeira abandonou o rádio e a televisão aos 38 anos, no auge da popularidade. Saiu deixando para os anais da história o registro de ter sido o maior de todos os comunicadores que a Bahia teve no século XX.

Eleito deputado federal, partiu para um novo desafio, passando a se dedicar exclusivamente à atividade parlamentar. Em Brasília, presidiu a Comissão de Defesa do Consumidor e foi membro da Comissão de Esportes e Turismo. Pronunciou 90 discursos e apresentou 40 projetos. Mesmo não dispondo mais de suas armas poderosas, o microfone de uma rádio e o vídeo da televisão, reelegeu-se em 1986.

Renovado o mandato na Câmara Federal, França Teixeira recebeu o prêmio ‘Palavra de Honra’, concedido pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), em reconhecimento pelo desempenho na defesa dos direitos dos trabalhadores durante a elaboração da Constituição de 1988. Dentre outras honrarias, possui a Ordem do Mérito da Bahia, outorgada no grau de Comendador.

Por indicação do governador Nilo Coelho, a Assembleia Legislativa da Bahia analisou e aprovou o nome do deputado para uma vaga no quadro de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, obrigando-o a renunciar ao mandato parlamentar. A posse no TCU ocorreu em 21 de setembro de 1989, aos 45 anos.

Antônio França Teixeira faleceu em Salvador, aos 69 anos, no dia 18 de julho de 2013. Seu corpo foi cremado no Cemitério Jardim da Saudade.

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Texto básico publicado nas páginas 168/170 da
‘Cartilha Histórica da Bahia’,
6ª Edição - 2002.