Francisco Alves

Ubaldo Marques Porto Filho

Filho de portugueses, Francisco de Moraes Alves nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de agosto de 1898. Começou na vida artística cantando no teatro de revista, onde chamou a atenção pelo vozeirão, com uma sonoridade que enchia a sala de espetáculo. Mas, para sobreviver, trabalhou inicialmente como operário em duas fábricas de chapéus e depois como motorista de táxi, profissão que exerceu até 1927.

Francisco Alves estreou no disco em 1921, com dois sambas do carioca Sinhô: ‘Pé de Anjo’ e ‘Fala Meu Loro’, este último com temática baiana, sobre a qual gravaria mais doze composições: Só na Bahia Que Tem; Ai, Eu Queria; Lavadeira; Não Posso Comer Sem Molho; Água de Coco; Olha o Boi; Zorô; Bahia; Essa Nega é da Bahia; Oração ao Bonfim; Ô Iaiá Baiana; Bahia com H.

Chico Alves, ou Chico Viola, como era chamado, também compunha, sendo autor de duas músicas inspiradas na Bahia: O samba ‘Zomba’ e a marchinha ‘Vem Cá Iaiá’, está última em parceria com os Irmãos Puccio. Mas ele não as gravou, deixando-as, respectivamente, para a cantora Aracy Côrtes e o conjunto Bando da Lua.

O maior sucesso de Francisco Alves, com o repertório baiano, foi ‘Bahia Com H’, samba do paulista Dênis Brean, gravado em 1947. Foi a última composição na discografia de Chico com a temática baiana.

Portanto, um fecho de ouro, pois ‘Bahia Com H’ alcançou um êxito espetacular e se transformou num dos clássicos em homenagem à Terra da Felicidade. A marcante música teve ainda o mérito de consolidar junto ao povo a grafia correta do nome Bahia.

Embora existisse, desde 1931, um decreto oficializando a designação do Estado com a letra ‘h’, muitos jornalistas e escritores ainda insistiam em escrever sem o ‘h’. E sem o ‘h’ a palavra significava simplesmente um acidente geográfico, sendo que no Recôncavo ficava o mais famoso da Bahia: Baía de Todos-os-Santos. Portanto, graças à letra de Dênis Brean e à voz de Francisco Alves, não restou mais nenhuma dúvida: Bahia era com ‘h’.

Maior ídolo da música popular na era do rádio, sendo para alguns críticos musicais considerado o maior cantor brasileiro em todas os tempos, o ‘Rei da Voz’ faleceu no dia 27 de setembro de 1952, aos 54 anos, quando viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro. O automóvel que dirigia, um Buick, colidiu com um caminhão, incendiando-se. Francisco Alves morreu carbonizado, na Via Dutra, trecho do município paulista de Taubaté, traumatizando o país. O seu sepultamento, na capital federal, arrastou uma multidão até então nunca vista no Rio de Janeiro.

Foi um dos três maiores cortejos fúnebres da história da capital brasileira. Os outros dois seriam o do presidente Getúlio Vargas, o maior de todos, em agosto de 1954 (translado do corpo do Palácio do Catete até o Aeroporto Santos Dumont), e o da cantora Carmen Miranda, em agosto de 1955.

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Texto publicado na página  55 do livro
‘Bahia, Terra da Felicidade’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
editado em 2006.