Geraldo Suerdieck

Ubaldo Marques Porto Filho

Durante 27 anos, de 1948 a 1975, o empresário baiano Geraldo Meyer Suerdieck esteve no comando da Suerdieck S.A. Charutos e Cigarrilhos, cabeça de um grupo que chegou a ter 16 empresas. Todas estavam ligadas ao cultivo e comercialização de fumos para charutos e à produção e distribuição de charutos nos mercados interno e externo. Três ficavam na Alemanha (Hamburgo, Freiburg e Emmendingen) e uma em Zurique, na Suiça.

Sob a liderança de Geraldo, a Suerdieck transformou-se num império charuteiro que chegou a ter 4.128 empregados (2.918 mulheres), além dos trabalhadores temporários (em torno de 3 mil pessoas), utilizados nas três fábricas de charutos no Recôncavo (Maragogipe, Cruz das Almas e Cachoeira)  e nos armazéns de fumos localizados em 13 dos 21 municípios baianos produtores de tabacos nobres.

A Suerdieck foi a maior fabricante da história dos charutos brasileiros e a maior produtora mundial de charutos totalmente artesanais. Em 1956, ao produzir e vender 180 milhões de charutos, estabeleceu um recorde mundial para um único fabricante. Um outro recorde foi o de marcas de charutos: no período de 70 anos (1905-1975) teve 464 marcas comercializadas. Para atender os variados gostos dos clientes, espalhados pelo território nacional e em dezenas de países, chegou a fabricar simultaneamente 300 marcas.

Nas décadas de 1950 e 1960, o presidente da Suerdieck constituiu-se no empresário baiano que mais viajava ao exterior, sempre para fechar negócios que representavam ingresso de divisas na economia nacional. Poliglota, dispensava intérpretes e negociava diretamente os contratos. Na comunidade européia, além de executivo renomado, era considerado como um dos grandes especialistas do mundo em fumos e charutos. Os importadores chamavam-no de “o rei do charuto brasileiro”.

Na época em que a economia fumageira era poderosa na Bahia, o líder do Grupo Suerdieck foi presidente do Sindicato da Indústria de Fumo do Estado da Bahia, presidente da Câmara de Fumos da Bolsa de Mercadorias da Bahia, diretor da Associação Comercial da Bahia e fez parte do primeiro conselho fiscal da Federação das Indústrias do Estado da Bahia, fundada em 1948.

Responsável pela consolidação do prestígio da Suerdieck nos quatro cantos do mundo, Geraldo também muito contribuiu para propagar os nomes da Bahia e do Brasil no exterior. Em 1958, escolhido por uma comissão criada pelo Governo Federal, para analisar e aprovar destaques na vida sócioeconômica do país, foi laureado pelo Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, que lhe conferiu uma Medalha de Ouro e um Diploma de Honra ao Mérito no Trabalho e na Produção. Foi o primeiro industrial do Norte/Nordeste a receber essas honrarias.

Em sua homenagem, na cidade de Cruz das Almas existe a Praça Geraldo Meyer Suerdieck. Em Salvador, no bairro da Boca do Rio, encontram-se a Rua Geraldo Suerdieck e a Travessa Geraldo Suerdieck.

Filho de pai alemão e mãe brasileira, Geraldo Suerdieck nasceu em Maragogipe, a 23 de novembro de 1918.  Passou o início da infância praticamente dentro da fábrica de charutos fundada pelo tio, August Wilhelm Suerdieck. Quando atingiu a idade escolar foi enviado pelo pai, Gerhard Meyer Suerdieck, para ser educado na Alemanha, em Stadthagen, cidade da família paterna. Depois, como preparação da formação profissional, trabalhou em Hamburgo, de 1937 a 1939, no Donnerbank, grande organização bancária alemã, que também atuava com importações e exportações. O banco treinava filhos dos clientes alemães que eram grandes empresários no exterior.

Muito tempo depois de ter deixado a Suerdieck, o baiano que foi o brasileiro de maior destaque no mercado mundial produtor de charutos, teve o dissabor de acompanhar a evolução da crise que decretou o fim das atividades da empresa que chegou a ser a maior empregadora de mão-de-obra e a maior pagadora de impostos na Bahia.

Encerrando um ciclo de 94 anos na produção de charutos famosos, a última fábrica da Suerdieck, em Cruz das Almas, foi fechada no dia 1º de dezembro de 1999. Dez anos depois, em 16 de dezembro de 2009, Geraldo Meyer Suerdieck faleceu em Salvador, de forma tranquila e serena, dormindo em seu apartamento, aos 91 anos, sendo sepultado no mausoléu da família, no Cemitério do Campo Santo.

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Texto condensado do livro
‘Suerdieck, Epopeia do Gigante’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,