Hansen Bahia

Ubaldo Marques Porto Filho

Karl Heinz Hansen, alemão de Hamburgo, nasceu em 19 de abril de 1915. Marinheiro na juventude, que pintava nas horas de folga, foi convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial como soldado. Após testemunhar os horrores praticados pelos nazistas, desertou do Exército alemão, indo para a Suécia, onde começou a trabalhar com xilogravuras e se firmou como artista gráfico.

Mudou-se para o Brasil em 1950, estabelecendo-se em São Paulo, como professor de artes gráficas e ilustrador na Editora Melhoramentos. Escreve um livro para crianças, ‘Primeiro Encontro com a Arte’, que faz sucesso, e expõe trabalhos em bienais, salões e exposições, em diversas cidades brasileiras e no exterior, obtendo premiações importantes.

Em 1955, desembarcou em Salvador na busca de um porto seguro para desenvolver sua arte, já consagrada internacionalmente. Karl Hansen era um viajante que não se fixava por muito tempo em lugar nenhum. Retornou à terra natal e, logo em seguida, a convite do imperador da Etiópia, Haile Selassiê, foi montar uma escola de belas artes em Addis Abeba.

Mas, já contaminado pelo micróbio Bahia, Hansen voltou a Salvador em 1966, onde havia encontrado a ambiência que procurava, onde passou a viver intensamente e onde a força criativa consolida-se com todo vigor. Voltou inclusive a ser professor, ensinando artes gráficas na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia.

Tendo encontrado na Bahia a felicidade que tanto desejava, fez o que a Suerdieck havia feito em 1905, quando colocou nos anéis de seus charutos a palavra Suerdieck Bahia. Ele também incorporou o nome Bahia, batizando-se como Hansen Bahia.

Por último, na busca de um espaço maior e mais tranquilo para poder trabalhar, sem sair da Bahia, em 1970 o artista se estabeleceu numa propriedade que comprou no Recôncavo. Localizada nos limites urbanos da cidade de São Félix, chamava-se Fazenda Santa Bárbara. Aí, instalou seu último ateliê, donde saíram xilogravuras que priorizaram a temática afro-baiana.

Hansen Bahia faleceu em São Félix, no dia 14 de junho de 1978, aos 63 anos. Deixou em testamento suas obras para a Fundação Hansen Bahia, com sede em Cachoeira. Era considerado por Jorge Amado como o pai da gravura baiana, com o status de ser um dos melhores gravadores que o mundo teve no século XX.

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Texto publicado nas páginas  115/116 do livro
‘Bahia, Terra da Felicidade’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
editado em 2006.