Hermes Veiga

Ubaldo Marques Porto Filho

Hermes de Azeredo Veiga nasceu em Castro Alves, Bahia, em 8 de janeiro de 1896. Formou-se em farmacêutico pela Faculdade de Medicina da Bahia e exerceu a profissão por muitos anos.

No Rio Vermelho, bairro que escolheu para morar, aprimorou o dom para a poesia. O professor Aurélio Souza, também poeta e seu genro, garantia que - por residir bem defronte à Casa do Peso, localizada numa das extremidades da Praia de Santana, local da realização da Festa de Yemanjá -,  Hermes Veiga esteve sempre submetido aos bons fluídos soprados do mar pela Rainha do Mar.

“Ele morava num local privilegiado, lindo e poético, que certamente lhe proporcionava a paz de espírito e tranquilidade necessária na hora de suas criações poéticas”, afirmava o marido da professora Margarida Veiga de Souza.

O Rio Vermelho, considerado o ‘Montparnasse Baiano’, exercia realmente um poder sobrenatural sobre os escritores, poetas, compositores e artistas plásticos que residiam neste bairro mágico, também regido por Senhora Sant’Ana e São Gonçalo, seus santos padroeiros.

E Hermes Veiga não escapou da atmosfera mítica reinante no bairro descoberto em 1509, por Diogo Álvares Corrêa, o náufrago que aí ganhou dos índios tupinambás o nome de Caramuru. Hermes escreveu centenas de poesias, muitas delas publicadas em jornais do próprio bairro. Em livros, suas poesias ficaram registradas nos seguintes títulos: Relicário, Destino, Felicidade, Angústia, Simples, Canto do Cisne, Velhinhos, Cativos e Zero.

Hermes Veiga casou-se com Guiomar de Oliveira Veiga e teve seis filhos: Paulo Hermes de Oliveira Veiga, contador; Milza Helena Veiga Martins, professora; Celeste Veiga Avena, professora e fisioterapeuta; Margarida Maria de Oliveira Veiga de Souza,  professora; Lourdes Veiga Pinheiro, artista plástica; e Plínio Melchiades de Oliveira Veiga, geólogo.

O ‘Poeta do Rio Vermelho’, como era chamado pelos colegas, faleceu em Salvador, aos 83 anos, em 29 de agosto de 1979.

Salvador, janeiro de 2010.