José Afonso Teixeira

Ubaldo Marques Porto Filho

Além de ter sido um duro golpe que o destino pregou nos familiares, amigos, irmãos rotarianos e colegas de labor, o repentino e prematuro falecimento de José Afonso de Oliva Teixeira Cavalcante consternou o Rio Vermelho. Nesse bairro ele nasceu em 26 de fevereiro de 1952, passou a infância e a adolescência.

Filho de conceituados educadores, os professores Cid Teixeira e Expedita Teixeira, José Afonso Teixeira era engenheiro por formação acadêmica, administrador por vocação e historiador por herança paterna.

Estava com dois projetos editoriais em andamento: um livro sobre Diogo Álvares Corrêa, o Caramuru, descobridor do Rio Vermelho, e outro detalhando os logradouros deste bairro, que ele amava tanto e onde gozava de vasto prestígio, pela simpatia, carisma e comunicação fácil. Também trabalhava num terceiro empreendimento, voltado para a cidade no geral. Era a Enciclopédia dos Logradouros de Salvador, uma minuciosa obra que seria editada em vários volumes, contendo o histórico de cada logradouro público.

José Afonso Teixeira exercia atividades profissionais na Fundação Mário Leal Ferreira, órgão vinculado à Secretaria Municipal do Planejamento. Coordenava o Projeto de Denominação de Logradouros - PDL, responsável pela implantação de um novo cadastro de endereços, informatizado e completo. Fruto de uma parceria entre a Prefeitura e a iniciativa privada, a missão básica do PDL consiste na erradicação das omissões, correção das distorções e na eliminação das duplicidades de nomes em um mesmo logradouro da capital baiana.

A execução deste projeto gigantesco, abrangendo todas as 17 regiões administrativas do município, tinha o aporte financeiro dos Correios, Coelba, Embasa, Telemar, Maxitel, Telebahia Celular, Vésper, Associação dos Bancos do Estado da Bahia e do Governo do Estado através da Conder. Na engrenagem técnica, a presença de José Afonso no PDL constituía-se numa peça fundamental. Credenciava-se pela liderança, inteligência ímpar, firmeza nas decisões, dedicação exemplar no trabalho, experiência em informática e pelos grandes conhecimentos dos logradouros e da própria história da primeira capital brasileira.

A morte de José Afonso Teixeira, ocorrida na manhã de 17 de fevereiro de 2002, a nove dias de completar 50 anos, deixou uma grande lacuna na Fundação Mário Leal Ferreira e na entidade que presidia, o Rotary Club Salvador Itapagipe, onde vinha realizando uma gestão das mais profícuas. Sob a sua chancela, o Rotary Itapagipe tinha promovido recentemente, no Centro Cultural da Caixa, uma importante exposição de mapas históricos da Baía de Todos-os-Santos.

Salvador, fevereiro de 2002.