José Ruas Boureau

Ubaldo Marques Porto Filho

José Ruas Boureau nasceu em Salvador, em 9 de março de 1923. Segundo ele mesmo dizia “o meu sonho de adolescente era trabalhar na Suerdieck, uma das empresas mais famosas da Bahia”. Depois de dois estabelecimentos bancários e uma companhia de capitalização, o seu sonho virou realidade em 1946. Cresceu na organização e tornou-se um executivo em nível de diretor. Na Suerdieck permaneceu até aposentar-se.

Boureau (Burô), como era chamado, residia na Rua Alagoinhas, no Rio Vermelho, desde 8 de dezembro de 1950. Quando fui morar nessa rua (cheguei em 1º de julho de 1958), tornei-me amigo de seus filhos, Jorge e Péricles, e passei a frequentar a sua casa. Um dia, em julho de 1964, ele perguntou-me: “Ubaldo, quanto você ganha na companhia telefônica?”. A companhia era a Tebasa, meu primeiro emprego e onde me encontrava há apenas sete meses. Respondi-lhe que ganhava 42 mil cruzeiros por mês. De chofre ele retrucou: “Quer ir trabalhar comigo, pago 120 mil mensais?”. Sem pestanejar, respondi também na tampa: aceito!

Assim, pelas mãos de José Boureau, no dia 1º de agosto de 1965, aos 20 anos, ingressei na famosa indústria de charutos. Sempre tendo ele como chefe imediato, permaneci por quase quatro anos na Suerdieck S. A. Charutos e Cigarrilhas. Lá na frente, quando me aposentei e saí da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia, escrevi um relato sobre a minha vida profissional, num artigo que, sob o título ’Crônica de uma Vida Profissional’, foi publicado no Bahia Hoje, jornal diário de Salvador, na edição do dia 1º de maio de 1996.

No artigo, eu disse que tinha trabalhado com alguns superiores hierárquicos de méritos e qualidades inquestionáveis. Foram poucos, mas, dentre eles, tive a honra de citar, em primeiro lugar, José Ruas Boureau, um profissional extraordinário, competente e de caráter irretorquível. Muito aprendi com ele.

Como hobby, Boureau cultivava o ‘canarismo’, tendo sido presidente do Clube de Canário da Bahia. Em 1967 fundou o Brahma Futebol Clube, último grande time de futebol de campo do Rio Vermelho, com extraordinários jogadores, onde se destacava a dupla formada por Augustinho e Noronha, considerados como os melhores meio-campistas que o futebol amador do Rio Vermelho teve na segunda metade do século XX.

José Ruas Boureau faleceu em Salvador, no dia 24 de julho de 2006, aos 83 anos, de efisema pulmonar, no Hospital da Bahia, sendo sepultado no Cemitério Jardim da Saudade.

Salvador, julho de 2006.