Lauro de Freitas

Ubaldo Marques Porto Filho

Lauro Farani Pedreira de Freitas nasceu em Alagoinhas, a 15 de abril de 1901. Cursou o primário na cidade natal, o secundário no Colégio Antônio Vieira, em Salvador, e o superior na Escola Politécnica da Bahia, diplomando-se em engenharia civil no dia 26 de março de 1922.

Trabalhou como desenhista, fiscal de obras, inspetor federal de ensino e professor catedrático no famoso Ginásio da Bahia. Mas foi como engenheiro ferroviário que construiu realmente sua vida laboriosa. Começou como empregado da Compagnie de Chemins de Fer Federaux de l’Est Brésilien. Após se destacar em vários cargos, chegou ao posto de superintendente. Em 1934, esteve na Argentina e no Uruguai, numa viagem para conhecer as boas ferrovias desses países vizinhos.

Em 1935, rescindido o contrato de arrendamento aos franceses, o governo assumiu a administração da ferrovia, que passou a se chamar Viação Férrea Federal Leste Brasileiro, com sede em Salvador. Pelos conhecimentos do setor ferroviário, Lauro de Freitas aceitou o convite para assessorar o ministro da Viação e Obras Públicas, indo residir no Rio de Janeiro.

Em 1939, foi à Europa observar a operacionalização e o gerenciamento das ferrovias alemãs, suíças e francesas, tendo ainda visitado importantes fábricas de equipamentos ferroviários.

No ano seguinte, voltou a Salvador como diretor geral da Leste Brasileiro, cargo que deixou por ter sido eleito, em dezembro de 1945, deputado à Assembleia Nacional Constituinte, sendo um dos mais votados pelo Partido Social Democrático (PSD). Promulgada a nova Carta do Brasil, e com a transformação da constituinte em congresso ordinário, permaneceu no exercício do mandato de deputado federal. Liderou a bancada baiana do PSD até julho de 1947, quando retornou à direção da Leste, que era o principal sistema de transporte na Bahia.

Lauro de Freitas realizou na Leste Brasileiro uma administração com inúmeras obras de vulto. Reformou e construiu estações, levou energia elétrica para muitas estações e suas cidades, recuperou e implantou grandes extensões de linhas, promoveu o lastramento das linhas com pedra britada, renovou e ampliou o material rodante, construiu caixas d’água, açudes, barragens, pontes, viadutos, túneis, aterros, contenções, casas para engenheiros, agentes e guarda-chaves, postos médicos, dormitórios, oficinas, depósitos e linhas telegráficas.

Implantou a fabricação de composições e locomotivas nas grandes oficinas de Aramari, Alagoinhas e São Félix. Construiu uma usina termoelétrica e iniciou a eletrificação ferroviária no Recôncavo.

Presidiu a Caixa de Aposentadoria dos Ferroviários da Bahia e Sergipe, foi membro da Associação dos Engenheiros Civis da Bahia, do Clube de Engenharia do Brasil, do Sindicato de Engenheiros da Bahia, da Associação de Empregados da Leste Brasileiro e sócio honorário da Associação Brasileira de Engenharia Ferroviária.

A condição de líder inconteste dos ferroviários, que formavam a classe mais poderosa da Bahia, levou-o a se destacar também como político de relevo e teve o seu nome lembrado do Governo da Bahia, para as eleições de janeiro de 1947. Mas abriu mão em favor da eleição de Otávio Mangabeira. Porém, à sucessão deste, o PSD lançou a candidatura de Lauro, homologada em 2 de maio de 1950. Encabeçou uma coligação formada com o PTB e outros partidos menores.

Encontrava-se em campanha no Vale do São Francisco quando morreu num acidente aéreo, em 11 de setembro de 1950, a exatos 22 dias das eleições. Saindo de Bom Jesus da Lapa, com destino à Carinhanha, o avião caiu logo após a decolagem, a seis quilômetros do aeroporto, ao chocar-se com uma árvore na tentativa de um pouso de emergência. Faleceram os três ocupantes do pequeno aparelho, um Stinson, pilotado por Guilherme de Castro. A outra vítima foi Gersino Coelho, deputado estadual pela região onde ocorrera a tragédia.

Lauro Farani Pedreira de Freitas era casado com Maria Elvira da Costa Penna, filha de um dos donos da Costa Penna & Cia., sediada em São Félix, que se constituía num dos gigantes da fabricação de charutos no Brasil. O casal teve cinco filhos: Maria Lúcia, Marina, Graciliano, Marcelo e Francisco.

Através da Lei Estadual nº 1.753, de 27 de julho de 1962, em terras desmembradas do território de Salvador, criou-se o Município de Lauro de Freitas. A sede foi instalada na localidade de Santo Amaro de Ipitanga, que passou a se chamar Cidade de Lauro de Freitas.

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 Texto publicado nas páginas 200/202 da
‘Cartilha Histórica da Bahia’
6ª Edição - 2002.