Mãe Menininha

Ubaldo Marques Porto Filho

Em Salvador, no Alto do Gantois, bairro da Federação, fica um terreiro gêge-nagô que, em 1922, passou ao comando de uma jovem mãe-de-santo, Menininha do Gantois. Ela se tornou uma das iyalorixás mais importantes e respeitáveis da Bahia, cuja fama ganhou fórum nacional.

Personalidade venerada, Mãe Menininha recebia empresários, intelectuais, políticos e autoridades de todo o país, para os quais jogava búzios e fazia ebós para abrir os bons caminhos e afastar os malefícios. Sua mão protetora também estendia-se sobre o povo baiano.

Quando ocorreram as festas pelo cinquentenário da assunção da mãe-de-santo ao mais elevado posto da hierarquia no candomblé do Gantois, uma comissão formada por escritores, artistas e etnólogos, colocou uma placa na porta da entrada, com o seguinte texto preparado por Jorge Amado:

“Nesta casa de candomblé, sede da Sociedade São Jorge do
Gantois, Ilê Iya Omin Axé Iyamansê, situada no Largo de
Pulquéria, no Alto de Gantois, há cinquenta anos Dona Maria
Escolástica Conceição Nazaré, Mãe-de-Santo Menininha do
Gantois, zela, no alto posto de iyalorixá, com exemplar
dedicação e perene bondade, pelos orixás e pelo povo
da Bahia. 1922 - fevereiro - 1972”

Ainda nessa ocasião, Dorival Caymmi, integrante da comissão promotora dos festejos, ao lado de Jorge Amado, Carybé, Mário Cravo, James Amado, Pierre Verger e Waldeloir Rego, compôs ‘Oração de Mãe Menininha’, uma toada que se transformou num fenômeno de sucesso nacional. Foi gravada pelo autor e logo em seguida por Maria Bethânia e Gal Costa. Eis a letra:

Ai, minha mãe,
Minha mãe Menininha,
Ai, minha mãe,
Menininha do Gantois.
                         (bis)

A estrela mais linha, hein?
Tá no Gantois
E o sol mais brilhante, hein?
Tá no Gantois
A beleza do mundo, hein?
Tá no Gantois
E a mão da doçura, hein?
Tá no Gantois
O consolo da gente, ai
Tá no Gantois
E a Oxum mais bonita, hein?
Tá no Gantois.

Olorum quem mandou
Essa filha de Oxum
Tomar conta da gente,
De tudo cuidar.
Olorum quem mandô-ê-ô
Ora, iê-iê-ô...

Nascida em Salvador, a 10 de fevereiro de 1894, Maria Escolástica da Conceição Nazaré faleceu na capital baiana aos 92 anos, no dia 13 de agosto de 1986.

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Texto publicado nas  páginas  67/68 do livro
‘Bahia, Terra da Felicidade’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
editado em 2006.