Manoel Devoto

Ubaldo Marques Porto Filho

Manoel Carlos Devoto, nascido em 25 de dezembro de 1854, diplomou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1876. Mas, foi como educador que o doutor Manoel Devoto ganharia notoriedade. Em 1882, aprovado em concurso, foi nomeado para o Lyceu Provincial, como professor catedrático de francês, exercendo o magistério durante 36 anos.

Em 15 de fevereiro de 1898, o Professor Devoto foi empossado como 11º diretor do Lyceu Provincial, que a partir da sua administração passou a se chamar Gymnásio da Bahia, atual Colégio Estadual da Bahia, mais conhecido como Central. A seu pedido, foi exonerado do cargo em 28 de maio de 1919, após ter completado 21 anos na direção da mais antiga unidade do ensino secundário da Bahia, cujas aulas tiveram início no dia 7 de setembro de 1837.

Na página 282 do livro ‘Memória Histórica do Ensino Secundário Oficial na Bahia’, publicado em 1937, em comemoração ao Centenário do Gymnásio da Bahia, seus autores, Gelásio de Abreu Farias e Francisco da Conceição Menezes, referiram-se a uma crise que irrompeu no famoso estabelecimento:

“Em fins de dezembro de 1921, por motivo de desentendimento
entre a Banca de Aritimética e o Fiscal Federal, foi o Gymnásio
teatro de cenas graves, que deram em resultado passar o diretor,
dr. Alfredo Constantino Vieira, o exercício da Diretoria a quem de
direito, sendo então chamado, pelo Governo, como elemento
coordenador, capaz de debelar a crise disciplinar então reinante,
o antigo diretor, dr. Manoel Carlos Devoto, já aposentado e enfermo.
Tendo acudido ao apelo do Governo, o prof. Manoel Devoto, logo ao
penetrar no Gymnásio, cujas portas estavam fechadas
pela Força Pública, exclamou textualmente:
          - Abram estas portas! Meus Senhores!
Voltando-se para os estudantes, que o saudaram com palmas, disse:
          - Esta casa é vossa! Defendei-a!
Aos Agentes da Força Pública declarou:
          - Os senhores estão dispensados!
E tudo voltou à normalidade”.

Em 1922, ao lado do governador J. J. Seabra, que o colocara como diretor interino para resolver a crise, Manoel Devoto participou de uma solenidade no Gymnásio da Bahia, como parte do programa do Centenário da Independência do Brasil. Logo depois, a 15 de setembro, desse mesmo ano, esteve presente em um ato alusivo ao Jubileu de Ouro da Beneficência Acadêmica da Faculdade de Medicina, da qual fora seu primeiro presidente, com a idade de 18 anos incompletos.

No dia 20 de outubro de 1931, aos 76 anos, faleceu o professor de tantas gerações de baianos. No dia seguinte, o jornal A Tarde noticiou:

“Faleceu o dr. Manoel Carlos Devoto, que nos departamentos da
inteligência e da erudição era o luminar em nossa terra. Professor
abalizado, por mais de uma vez dirigiu modelarmente o Gymnásio
da Bahia, de cuja congregação era uma honra. Seu enterramento
será hoje, no Campo Santo, saindo às 4 horas da tarde,
da Rua do Caquende”.

Em 30 de novembro de 1957, quando o governador Antônio Balbino de Carvalho Filho e o secretário da Educação, Aloysio da Costa Short, assinaram o Decreto nº 16.961, que criou novas unidades do ensino ginasial na capital, a do Rio Vermelho foi batizada com o nome de Ginásio Estadual Manoel Devoto.

Em 1962, com a introdução do curso de nível médio, o nome foi alterado para Colégio Estadual Manoel Devoto.

-----------------------------------------
Texto básico extraído da página 143
do livro ‘Rio Vermelho’,
de Ubaldo Marques Porto Filho.
editado em 1991.