Pierre Verger

Ubaldo Marques Porto Filho

Pierre Edouard Leopold Verger, nasceu a 4 de novembro de 1902, em Paris, onde morou até 1932. Doutorou-se em estudos africanos pela Sorbonne e, como repórter-fotográfico e etnógrafo, passou a viajar pela Europa, Ásia, África e Américas. Chegou em Salvador em 1946.

O cidadão do mundo apaixona-se pela cidade, pela sua gente, pelo candomblé e resolve ficar. Além da fotografia (fez importantes registros da capital e do interior baiano), o historiador desenvolveu importantes pesquisas sobre a cultura negra, o culto aos orixás e, sobretudo, com relação ao tráfico de escravos. Em 1968, publicou ‘Fluxo e Refluxo’, um clássico sobre o tráfico de escravos entre o Benin e a Bahia durante os séculos XVII a XIX.

Ex-direitor de pesquisa do Centro National de La Recherche Scientifique, em Paris, professor visitante da Universidade de Ifá, na Nigéria, e membro correspondente do Musée National d’Histoire Naturelle de Paris, Pierre Verger foi iniciado como babalaô quando esteve na Nigéria, onde recebeu o nome de Fatumbi.

Na Bahia, tornou-se ogã nos candomblés Axé Opô Afonjá e Opô Aganju. Foi professor assistente da Universidade Federal da Bahia e, segundo Jorge Amado, transformou-se no “mais baiano dos baianos”. A Bahia foi, na verdade, o único lugar do mundo que o prendeu.

Pierre Verger faleceu em Salvador, aos 93 anos, no dia 11 de fevereiro de 1996. Deixou todo o seu rico acervo fotográfico, livros e documentos para a Fundação Pierre Verger, que ele criou em 1988, com o objetivo de servir como centro de informações e pesquisas sobre a sua obra e também como instrumento de intercâmbio cultural entre a Bahia e a África, especialmente com o Benin e a Nigéria, e vice-versa.

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Texto publicado na página  115 do livro
‘Bahia, Terra da Felicidade’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
editado em 2006.