Rômulo Serrano

Ubaldo Marques Porto Filho

Rômulo Corrêa Serrano nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de abril de 1923. Desde menino que pinta, mas não fez desta vocação o ganha pão, pois era bancário, funcionário do Banco do Brasil.

Conheci Rômulo já residindo no nº 20 (atual 119) da Rua Itabuna, no Parque Cruz Aguiar, Rio Vermelho, logradouro que eu frequentava diariamente, como passagem para minha casa, na Rua Alagoinhas.

Inicialmente encarada como hobby, a pintura somente foi levada a sério com Rômulo já adulto, mesmo assim sem deixar de ser bancário. Suas exposições foram as seguintes, em Salvador: Salão Baiano (1955 e 1956); Belvedere da Sé (1958), juntamente com José de Dome, seu grande amigo; Biblioteca Pública da Bahia (1960), a primeira individual; Associação Cultural Brasil-Estados Unidos (1962); Galeria Anjo Azul (1962); Galeria Le Dome (1965); 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia (1966); Museu de Arte de Feira de Santana (1967); Gabinete Português de Leitura (1972);  Galeria Candeeiro (1972); e Galeria Época (1984). Também teve trabalhos expostos em diversas outras cidades, inclusive Los Angeles, nos Estados Unidos.

Rômulo Serrano foi citado no Dicionário de Artes Plásticas do Brasil, de Roberto Pontual, no Dicionário Brasileiro de Artes Plásticas, editado pelo Ministério da Educação e Cultura, e no livro ‘Bahia de Todos os Santos’, de Jorge Amado. Foi inclusive merecedor de palavras entusiasmadas dos principais críticos de arte na Bahia, dentre eles Zoroastro, Wilson Rocha, Clarival do Prado Valadares e Ivo Velame.

A seguir, transcrevo um trecho do artigo que Vasconcelos Maia publicou no jornal A Tarde, edição de 21 de outubro de 1964:

“Rômulo é um tipo muito diferente desses que cultivam as
relações públicas, mandando eles próprios notas aos jornais ou
oferecendo jantares ao pessoal que ajuda a fazer a cabeça do
público amante das artes. Cercado dos cuidados da sua mulher,
Lucíola, do carinho de seus filhos e da bagunça dos seus netos,
no seu ateliê, sossegado, tranqüilo, sem pressa, pinta paisagens
marinhas, flores, naturezas mortas. Sua arte moderna, contemporânea,
não é revolucionária, esquisita, exótica. Seus tons não são escandalosos,
sensacionais, berrantes. Prefere os tons cinzentos ou azuis, ou verdes, de
acordo com sua alma. Raramente usa um vermelho ou amarelo. Mas sua
técnica não tem nada de acadêmico. Seus quadros transmitem paz e fazem
pensar. Sua pintura é limpa e trabalhada. Tem inspiração e apuro.
Rômulo é um artista”.

Rômulo Serrano faleceu em Salvador, aos 78 anos, em 18 de março de 2002, a oito dias da inauguração de uma exposição na Galeria Prova do Artista, em Salvador, onde iria expor 44 obras, de 26 de março a 12 de abril.

Salvador, setembro de 2002.