Toninho Lacerda

Ubaldo Marques Porto Filho

Antônio Francisco Freitas de Lacerda era neto do engenheiro Antônio Francisco de  Lacerda, que construiu e emprestou o sobrenome a um dos cartões postais de Salvador, o Elevador Lacerda, inaugurado em 8 de dezembro de 1872.

Toninho Lacerda, também chamado de Cebola, foi um entusiasta do futebol, destacando-se como goleiro, tendo no seu bairro, o Rio Vermelho, jogado no Clube de Praia Avenida.

Tecnólogo em agrimensura, diplomado pela Escola de Eletromecânica da Bahia, Toninho ingressou no quadro de técnicos do Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia - Derba, órgão do governo estadual.

Porém, o manuseio dos instrumentos de medição de terras e mapeamentos para projetos não faziam parte do seu futuro laborioso. A vocação mesmo, demonstrada desde cedo, era seguir pelos caminhos da música, tendo aprendido piano com a renomada professora Walkyria Knittel. Mas foi tocando órgão e escaleta que se iniciou profissionalmente. Participou do conjunto ‘O Barquinho’, onde também se iniciaram o guitarrista Antônio Carlos Pinto (que faria sucesso como compositor e cantor, em dupla com Jocafi) e o cantor João Só, de êxito nacional passageiro, com a música ‘Menina da Ladeira’. Toninho também foi tecladista no conjunto Brasa Bossa.

A exemplo do irmão, o maestro Carlos Lacerda, ele montou o seu próprio grupo musical - Toninho Lacerda e Seu Conjunto, que se apresentava em clubes e casas noturnas, como a famosa  Boite Barcaninha. Durante sete anos foi o conjunto cativo nas noites dos sábados na Boite Azulina, localizada nas dependências da Associação Atlética da Bahia, clube social da elite soteropolitana.

Às 17h40 do dia 26 de julho de 1984, quando era atendido na Clínica Atemde, Toninho Lacerda faleceu, vitimado por um infarto do miocárdio, aos 40 anos. Morreu em circunstâncias idênticas ao irmão Carlos Lacerda, este aos 45 anos, em 12 de novembro de 1979. Toninho era casado com a professora e escritora Ayeska de Paula Freitas de Lacerda e tinha quatro filhos:  Adelyne, Alyne, Antônio Luís e Ayane.

No Rio Vermelho, muito se comentou sobre a tragédia que se abateu sobre o engenheiro José de Lacerda e dona Consuelo Freitas de Lacerda, que sobreviveram aos três filhos. O primeiro a falecer foi Emília Maria Freitas de Lacerda, uma moça de beleza incomum, aluna de piano da professora Walkyria Knittel e que morreu na flor da juventude, de leucemia, consternando o bairro do Rio Vermelho.

Fonte:
Livro ‘Rio Vermelho’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
publicado em 1991.