Vasconcelos Maia

Ubaldo Marques Porto Filho

Baiano de Santa Inês, nascido a 20 de março de 1923, Carlos Vasconcelos Maia, bacharel em direito, fundou e dirigiu a revista Caderno da Bahia, com a qual se projetou nos meios culturais. Contista primoroso, escreveu os seguintes livros: Fora da Vida (1946);  Contos da Bahia (1951); Feira de Água de Meninos (1951);  O Cavalo e a Rosa (1955); Diante da Baía Azul (1957); O Primeiro Mistério (1960); O Leque de Oxum (1961); História da Gente da Bahia (1964); ABC do Candomblé (1978); Cação de Areia (1986); e Romance de Natal (1986).

Com ‘Diante da Baía Azul’ ganhou o Prêmio Câmara Municipal de Salvador, mas o maior sucesso foi com ‘O Leque de Oxum’. Publicado pela Editora O Cruzeiro, integrante do maior complexo de comunicações do país, a rede dos Diários e Emissoras Associados, esse livro mostrou ao Brasil a Bahia dos candomblés, das igrejas, ladeiras, praias e o mar dos saveiros. Enfim, uma obra marcada por um lirismo que muito contribuiu na divulgação da cultura e do turismo baianos.

Além de figurar entre os grandes conhecedores da cultura baiana, Vasconcelos Maia também se notabilizou como expoente nas questões do turismo. Fez tudo que pode pelo turismo soteropolitano e até mesmo por toda a Bahia. No comando do Departamento Municipal de Turismo e Diversões Públicas, trabalhou além do ambiente de Salvador. Como não havia uma representação estadual, assumiu muitas vezes o papel que caberia ao Governo do Estado. Pelo dinamismo e desenvoltura nas ações, muitos pensavam que ele fosse o dirigente do turismo estadual.

Bem articulado, foi um dos fundadores do Skal Club da Bahia, representação regional de uma agremiação internacional com filosofia de congregar e promover a confraternização entre os executivos do setor turístico. Amigo de pessoas influentes, Vasconcelos Maia conseguia fazer milagres com os poucos recursos financeiros colocados à disposição do Departamento. Sua gestão foi caracterizada pelo diálogo com políticos, dirigentes governamentais, empresários, artistas, intelectuais e jornalistas. Sabia galvanizar o apoio de todos.

Municiado de todas essas qualidades, deu um grande impulso no turismo municipal. Trabalhou com quatro prefeitos consecutivos: Hélio Machado, Gustavo Fonseca, Heitor Dias e Virgildásio de Senna. Seu trabalho foi interrompido pelo golpe militar que irrompeu na noite de 31 de março de 1964, que implantou a ditadura no país. A consequência imediata em Salvador consistiu na deposição do prefeito Virgildásio e no afastamento sumário dos ocupantes de cargos de confiança, inclusive Vasconcelos Maia. O município ficou privado da sua expressão máxima no turismo.

Em 1976 saiu o meu primeiro livro, ‘Turismo, Realidade Baiana e Nacional’. Pouco tempo depois, fui fazer uma pesquisa na Companhia de Navegação Bahiana e me encaminharam para falar com o diretor de Turismo da CNB, que era justamente o Vasconcelos Maia. Eu o conhecia de vista, mas o nosso primeiro encontro foi nesse dia. Para minha surpresa, ele foi logo me chamando de “Colega Escritor”. Fiquei muito honrado com essa referência. Foi a primeira vez que uma pessoa me chamou de escritor.

Quando escrevi o segundo livro sobre turismo, ‘Bahia, Terra da Felicidade’, publicado em 2006, no breve perfil biográfico sobre ele, que inseri nas páginas 122/123, coloquei o título ‘Senhor do Turismo’. Salvador devia-lhe esta homenagem. Como as autoridades não deram, eu dei. Por se tratar de um livro sob a chancela oficial, pois foi encomendado e editado pelo órgão oficial do turismo baiano, a Bahiatursa, o título representou a honraria que o Estado lhe devia.

Vasconcelos Maia era membro da Academia de Letras da Bahia, titular da Cadeira 14, tendo tomado posse em 27 de outubro de 1976. O acadêmico faleceu em Salvador, aos 65 anos, no dia 14 de julho de 1988.

Fonte:
Livro ‘Bahia, Terra da Felicidade’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
editado em 2006.