Waldeloir Rego

Ubaldo Marques Porto Filho

Nascido em Salvador, a 25 agosto de 1930, Waldeloir Rego dos Santos foi uma pessoa muito culta e de atividades múltiplas, tendo sido professor, pesquisador, historiador, escritor, etnólogo, antropólogo, folclorista, ensaísta, artista plástico e designer de jóias com temática afro-baiana. Gozava de prestígio internacional como autoridade em assuntos do candomblé e da capoeira.

Com livre trânsito por todos os grupos de candomblé, possuía diversos títulos religiosos. Um deles era o de ogã do Ilê Axé Opó Afonjá, um dos mais conceituados terreiros da Bahia, comandado pela Mãe Stella de Oxossí. Também tinha vínculos com o famoso Ilê Iyá Omin Axé  Iyamassê, casa de santo da Mãe Menininha do Gantois. Falava iorubá  e era um verdadeiro ‘Senhor dos Orixás’.

Com relação à capoeira, Waldeloir Rego escreveu uma obra prima, ‘Capoeira Angola, Ensaio Sócio-Etnográfico’, livro com 400 páginas e ilustrações de Carybé. Publicado em 1968, pela Editora Itapuã, foi contemplado pela Academia Brasileira de Letras com o Prêmio José Veríssimo, na categoria Ensaio e Erudição.  Tornou-se um patrimônio na história da luta dança.

Na época de dom Timóteo Amoroso Anastácio, abade do Mosteiro de São Bento da Bahia, Waldeloir estudou a história desse mosteiro e participou do movimento da aproximação entre os beneditinos e a comunidade do candomblé, no que resultou na introdução de alguns elementos da religiosidade afro, tais como atabaques, berimbaus e agogôs, nas missas da Igreja de São Bento. Por último, vinha pesquisando a vida Manuel Querino (1851-1923), outro homem de atividades múltiplas e que, como ele, também era afro-descendente.

Waldeloir Rego, que residiu no Rio Vermelho, faleceu em Salvador, aos 71 anos, no dia 21 de novembro de 2001, no Hospital Santa Isabel, onde se encontrava internado após sofrer um AVC.

Deixou uma biblioteca com 15 mil títulos, dentre eles livros raros e obras de referência na literatura afro-brasileira. Hoje, esse valioso acervo faz parte do Memorial Waldeloir Rego, instalado no 3º andar da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, em Salvador.

Salvador, novembro de 2009.