Walkyria Knittel

Ubaldo Marques Porto Filho

Walkyria Melgaço Knittel, nasceu em Salvador, no Rio Vermelho, em 20 de abril de 1907. No alvorecer da mocidade já extravasava o grande amor pela música, nas teclas do piano. Tornou-se professora e começou ensinar na própria residência. Animada com o grande número de moradores que a procuravam para que ensinasse piano aos filhos, resolveu formalizar a existência da sua escolinha.

Criou a Escola de Música Heitor Villa Lobos, que passou a funcionar numa casa na Travessa Lydio de Mesquita. O corpo docente ficou constituído pelas musicistas Maria da Glória Peixoto (teoria musical), Nair Soares dos Santos (violino), Nilza Didier (piano) e Walkyria Knittel (piano). Anualmente, no encerramento da temporada letiva, a escola promovia um grande concerto, no qual os alunos eram sempre as atrações máximas. Os locais das apresentações variavam, mas tinha de ser em auditórios importantes, como no Instituto de Música da Bahia ou na Associação dos Empregados no Comércio do Estado da Bahia, ambos localizados no centro de Salvador.

Pela conceituada escola da professora Walkyria passaram centenas de alunos, vindos inclusive de outros bairros. Do Rio Vermelho foram alunos brilhantes Emília Maria Freitas de Lacerda, seu irmão Toninho Lacerda, Nelson Taboada, Lise Weckerle, Tereza Schultz, Florinda Maria Bezerra Pinheiro, Celeste Tavares, Sandra Schoucair Caria, filha do cantor lírico João Caria, e Lúcia Maria Mascarenhas Brandão, sendo que esta última participou do programa ‘Escada para o Sucesso’, na TV Itapoan, obtendo a quinta classificação na categoria piano.

Walkyria Knittel foi professora do famoso pianista Carlos Lacerda, que fazia questão de externar publicamente a sua gratidão em ter tido nela a primeira mestra de piano. Certa feita, numa de suas inúmeras apresentações na TV Itapoan, o pianista prestou-lhe significativa homenagem.

Além de professora de várias gerações de jovens, Walkyria também se destacou como organista sacra. Por quase trinta anos, foi a organista oficial da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. E muitos casamentos importantes foram realizados sob os acordes comandados por ela. Durante muitos anos, tocou também nas novenas das principais igrejas de Salvador, inclusive na do seu bairro, a Igreja de Nossa Senhora Sant’Ana do Rio Vermelho. Em diversas oportunidades, atendendo insistentes convites, o seu grupo musical fez apresentações em várias cidades do interior baiano, em festas religiosas das padroeiras.

A professora Walkyria, a quem conheci bem de perto, haja vista que frequentava sua residência, na condição de amigo do seu filho Walter, era uma pessoa de temperamento alegre e extrovertido. Sua casa vivia repleta de jovens alunos e numa certa fase por integrantes do Grêmio Juventude do Rio Vermelho, entidade que ela deu um grande apoio, pois permitiu que a sede funcionasse no interior da sua escola de música, nesta época, 1965, em funcionamento na parte térrea do Edifício Goya, no Largo de Santana. Eu fazia parte do Grêmio como diretor do jornal Vip.

A última vez que a professora tocou um órgão foi no dia 10 de janeiro de 1976, num casamento na Igreja de Nossa Senhora da Vitória. Sete meses depois, em 15 de agosto, vitimada por um câncer, faleceu aos 69 anos.

Foi a última grande professora de música do Rio Vermelho e uma das melhores organistas sacras da Bahia. Do casamento com Walter Knittel (Bubi), deixou três filhos: Antônio Carlos, Walter e Roberto.

Fonte:
Livro ‘Rio Vermelho’,
de Ubaldo Marques Porto Filho,
editado em 1991.